Publicado em: 02/05/2017 às 16h30

Sistemas linguais ampliam leque de tratamentos na Ortodontia

Tratamento invisível: confira quais são as suas características e qual o estado atual desta técnica.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo
Considerada um tratamento altamente estético, a Ortodontia Lingual está entre as preferidas dos pacientes adultos, uma vez que os braquetes são posicionados na região lingual. Conhecida também como técnica invisível, ela surgiu em meados da década de 1970, mas evoluiu consideravelmente ao longo dos anos – tanto em relação à forma de montagem do aparelho como em modificações no desenho dos braquetes.
 
Atualmente, estão disponíveis desde os sistemas linguais com braquetes pré-fabricados até braquetes prototipados que utilizam tecnologia 3D. A abordagem a seguir busca apresentar as características e a indicação de uso de cada sistema.
 
 
Braquetes linguais Edgewise ou convencionais
 
por Carla Maria Melleiro Gimenez*
 
A técnica lingual realiza o tratamento ortodôntico em segredo, com os braquetes colados atrás dos dentes1. Um questionamento frequente refere-se à adaptação, mas pesquisas comparativas entre tratamento convencional e lingual mostram que não há uma diferença significativa entre níveis de desconforto2.
 
As vantagens não se restringem apenas à estética, favorecendo também a biomecânica. Por lingual, o ponto de aplicação de força se aproxima do centro de resistência, facilitando a movimentação dentária3 com maior controle, menor tendência rotacional, menor perda de ancoragem e redução do tempo de tratamento4-5.
 
O menor perímetro do arco por lingual leva à redução da distância interbraquetes e maior rigidez do sistema biomecânico, sendo importante a utilização de forças leves6-7.
 
A variedade de braquetes linguais é considerável, sendo que os convencionais são Standard/Edgewise, ou seja, não são pré-ajustados. Eles permitem o controle tridimensional, mas é necessário um preparo laboratorial para a individualização de torques, inclinações e angulações3-4,6. O slot é 0.018 x 0.025 ou 0.018 x 0.030, sendo melhor preenchido pelos fios7. Podem ser ligados (STb, 7a geração/Ormco, PSWb/Tecnident, Eurodonto, ORJ, Fujita, Hiro, Dentaurum, Astar, entre outros) ou autoligados (In-Ovation L/GAC, Adenta, Phanton, Allias/Ormco, entre outros). Autoligados exigem adequação para baixo atrito, utilizando arcos de alta performance, e arcos de aço somente quando é necessária maior rigidez. Se a opção for por braquetes ligados, recomenda-se a amarração com amarrilhos para diminuir a fricção e favorecer o encaixe nos slots.
 
Para o correto posicionamento dos braquetes, a melhor opção é a colagem indireta8-9, a ser realizada de duas formas: baseada em set up (Hiro System e sistemas derivados) ou diretamente no modelo da má-oclusão (colagem simplificada)3.
 
Inicialmente, o posicionamento dos braquetes no modelo era determinado com a utilização de máquinas: Targ, Class System, Top System, MBP, Slot Machine e Best3. Com o advento do Hiro System, a montagem laboratorial é feita sobre o set up, que apresenta características de oclusão otimizada, e o posicionamento é feito com arco ideal. O espaço entre a base do braquete e a superfície lingual do modelo é preenchido com resina, formando o PAD – que seria como a individualização da base do braquete vestibular de acordo com a prescrição escolhida. Assim, com a progressão dos arcos, a oclusão desejada vai se consolidando3-4,6.
 
Na colagem simplificada, os braquetes são posicionados sobre o modelo da má-oclusão, tendo como referência o longo eixo dentário e a altura. Portanto, são necessárias dobras compensatórias para alcançar os objetivos do tratamento3,10.
 
Pode-se dizer que, quanto mais detalhada a preparação laboratorial, mais prática será a finalização.
 
A mecânica de arco reto foi proposta em 20014, 6, baseando-se em três pilares: altura mais cervical para braquetes anteriores; rotação distal de braquetes dos caninos; e braquetes de pré-molares/molares no centro da coroa clínica. Este fato permitiu inovações em sistemas de montagens e condução biomecânica.
 
O sistema de braquetes PSWb estabelece compensações que evitam a necessidade de dobras, apresentando um perfil mais volumoso dos braquetes na região anterior, off set distal no braquete canino e maior espessura do braquete do segundo pré-molar10, preconizando a colagem simplificada.
 
Concluindo, a Ortodontia Lingual está passando por grandes avanços, oferecendo alternativas efetivas e versáteis de braquetes que favorecem a excelência de resultados.
 
Figura 1 - Aparelho lingual
autoligado (Adenta) no arco
superior com mini-implantes.
Figura 2 - Aparelho lingual
ORJ no arco inferior.
Figura 3 - Maquinário
para posicionamento de braquetes.
 
Figura 4 - Braquete PSWb. Figura 5 - Colagem simplificada sobre modelo de má-oclusão – braquete STb. Figura 6 - Hiro System – set up.

 

 
Braquetes linguais do sistema 2D
 
por Silvana Allegrini Kairalla*
 
Com a intenção de facilitar alguns dos procedimentos que dificultavam a técnica lingual convencional, e oferecer resultados satisfatórios, a Forestadent (Pforzheim, Alemanha) desenvolveu o sistema lingual 2D14-15. Esta técnica consiste em montar ou colar os braquetes linguais diretamente no esmalte dental, assim como é realizado na Ortodontia convencional por vestibular, mas também permite que a montagem seja feita de forma indireta, isto é, no modelo de trabalho em gesso especial e sem a necessidade de procedimentos particulares – como a confecção de modelos em set up.
 
O sistema lingual 2D, com mecânica e desenho exclusivos, possui braquetes autoligados e de inserção vertical, ou seja, o fio ortodôntico é colocado na canaleta do braquete de cima para baixo (de incisal para cervical), diferentemente da maioria dos braquetes linguais, que possuem inserção horizontal16 (o fio ortodôntico é colocado de lingual para vestibular).
 
Dentre as vantagens em utilizar o braquete de inserção vertical, está a visualização do local de inserção do arco lingual dentro da canaleta, o que nem sempre é possível com o arco horizontal ou axial, que precisa do auxílio de espelhos, pinças, instrumentos ortodônticos e dedos indicadores.
 
Outra vantagem é que as aletas de abertura funcionam como anteparo mecânico e impedem o arco de escapar da canaleta do braquete, ao contrário do que acontece com o braquete de inserção horizontal, no qual existe a tendência do arco sair da canaleta e a possibilidade de ser necessária uma mecânica com mais atrito, o que nem sempre é desejado, principalmente nas fases iniciais17.
 
Uma ressalva deve ser feita com relação aos braquetes de inserção horizontal autoligados, pois, devido à tendência de escape do fio ortodôntico, o clip de alguns tipos de braquetes pode se abrir e não proporcionar o efeito de mecânica desejado, causando o desnivelamento de um ou mais dentes, o que pode ser notado pelo paciente ou pelo profissional16.
 
Outro fator muito importante na aplicação da Ortodontia Lingual é a questão dos braquetes serem confortáveis para os pacientes. Se forem muito grandes, com perfil largo, podem atrapalhar a pronúncia e causar dificuldade na fala. Os braquetes linguais 2D possuem um perfil bastante delgado (espessura de 1,20 mm quando totalmente fechado e 1,40 mm quando as aletas estão semiabertas). Por ser um sistema com atrito progressivo, permite que, em casos de muito apinhamento dentário, todos os braquetes possam ser inseridos no arco e o sistema autoligado funcione dentro dos seus princípios17 (Figura 2).
 
A base deste braquete tem espessura de 0,40 mm e possibilita o posicionamento quase na altura do cíngulo dos dentes anteriores, ou seja, sobre o centro de resistência do elemento dental17-18. Isso permite manter o arco inserido no braquete na mesma altura do plano de Andrews (paralelo ao plano oclusal) e o fio pode ficar posicionado quase tangente à superfície lingual, compensando as diferentes espessuras vestibulolinguais17-19 (Figuras 1 e 3).
 
A técnica lingual 2D permite um ótimo controle da rotação, inclinação para vestibular e lingual, assim como para mesial e distal, e este movimento é obtido pelo fato do braquete possuir duas aletas que podem ser fechadas progressivamente. Vale lembrar que existem diversos tipos de braquetes 2D que podem ser utilizados de acordo com cada caso. Assim, o tratamento pode ser “customizado” por meio da seleção de diversos tipos de braquetes em um mesmo paciente – o que chamamos de otimização do braquete 2D (Figura 4) – porque ele não possui slot retangular convencional na base e pode ser usado em todos os dentes, realizando movimentos de primeira e segunda ordem. Esse sistema possibilita a inserção de arcos com fio de diâmetro máximo de 0.022” x 0.016” quando utilizado braquete 2D Plus, que permite torque individual (como é realizado na técnica Edgewise)20.
 
Nesse sistema, são utilizados arcos titanol superelástico ou arcos de liga de NiTi termoativado (biolingual), que possibilitam mecânica com baixo atrito e forças leves, principalmente durante as primeiras fases de tratamento (nivelamento e alinhamento). Encontrados nas espessuras 0.010”, 0.012”, 0.014” e 0.016” para a maxila e para a mandíbula, os arcos titanol superelástico (Forestadent, Pforzheim – Alemanha) são pré-curvados de canino a canino e permitem a inserção de dobras de primeira ordem entre canino e primeiro pré-molar (arco em formato de cogumelo)21, cujo procedimento é rápido e muito fácil22. Já os arcos biolinguais são fabricados em forma de cogumelo, em seis tamanhos diferentes e quatro espessuras: 0.010”, 0.012”, 0.014” e 0.016”.
 
O sistema lingual 2D é indicado para o fechamento de pequenos espaços ou diastemas, correção de mordida profunda, correção de apinhamentos (particularmente no arco inferior), alinhamento de caninos ectópicos e/ou impactados e dentes mal posicionados, correção de mordida cruzada anterior e posterior no preparo ortodôntico para cirurgia ortognática e para contenção pós-tratamento ortodôntico17 (Figuras 5 e 6). Nos casos de exodontia de dois ou quatro pré-molares para a correção de má-oclusão, o sistema pode ser usado com parcimônia, com o auxílio de miniparafusos, miniplacas e/ou elásticos intermaxilares. Quando é necessário maior torque anterior, recomenda-se o uso do braquete 3D (Forestadent, Pforzheim – Alemanha)17.
 
Sendo assim, o sistema lingual 2D satisfaz os critérios de estética, exige conhecimento específico de biomecânica e habilidades técnicas para a montagem e customização das dobras nos arcos. Mas, com custo reduzido, os braquetes 2D são uma alternativa rápida e eficiente para pacientes adultos que necessitam da correção de diversos tipos de má-oclusão.
 
Figura 1
Braquetes colados em dentes superiores.
Figura 3
Resultado obtido após sete meses de tratamento.

 

Figura 2
Braquetes com aletas semiabertas no arco inferior (mandíbula).
Figura 4
Braquete 2D de uma aleta colado em canino com grande giroversão.

 

Figura 5
Início do caso com diferentes tipos de braquetes 2D colados no arco superior (maxila).
Figura 6
Resultado obtido após seis meses de tratamento.

 

 
Braquetes linguais customizados
 
por Andreia Cotrim Ferreira*
e Graça Guimarães*
 
Os braquetes ortodônticos linguais customizados constituem a nova geração de aparelhos ortodônticos corretivos. O primeiro sistema customizado (Incognito) surgiu em 2001, na Alemanha, como consequência do grande avanço tecnológico, das inovações relativas ao escaneamento de modelos, dos sistemas CAD/CAM, do desenvolvimento de softwares específicos e dos sistemas de sobreposições de imagens.
 
Para a confecção de um aparelho customizado, utiliza-se uma moldagem de precisão ou um sistema de escaneamento intraoral para copiar a anatomia dos dentes a serem incluídos na mecânica, além de um sistema que possibilita a confecção de braquetes individualizados à face lingual de cada dente.
 
O set up é feito virtualmente por um técnico, com o uso das imagens escaneadas e seguindo a orientação do ortodontista responsável pelo caso. Após aprovação do set up pelo ortodontista, bases customizadas são desenhadas nas superfícies linguais. Elas farão a individualização da base do braquete referente aos torques, às inclinações, in/outs e demais características da oclusão desejada.
 
No sistema Incognito, os braquetes ortodônticos virtuais são posicionados na base desenhada na face lingual de cada dente, então são realizadas a impressão e a fundição destas bases com braquetes customizados (peça única), utilizando ligas especiais e um processo metalúrgico similar ao empregado nas peças protéticas.
 
No sistema Harmony, as bases são desenhadas nas faces linguais do set up, os braquetes virtuais de estoque são posicionados sobre as mesmas, conectores fazem a ligação entre ambos e os arcos digitais são desenhados encaixado-se nos slots dos braquetes virtuais. As bases e os conectores são então prototipados com encaixes, onde serão precisamente microsoldados os braquetes por tecnologia MIM (metal injection molding).
 
Pode-se também solicitar a inclusão de acessórios como gancho, tubo para barra palatina, banda, cobertura oclusal para levante de mordida ou qualquer peça especial para cada tipo de tratamento.
 
Os arcos do sistema Harmony são dobrados por robôs, o que aumenta a precisão deste aparelho. O mesmo robô dobra os arcos de aço, NiTi e Beta-titanium de diferentes espessuras e com muita precisão.
 
A colagem dos acessórios customizados é feita de maneira indireta, podendo ser realizada com uma moldeira de transferência de acetato ou de silicone. A adesão do braquete ao dente deverá ser feita com resina quimicamente ativada ou dual, dependendo do material do braquete e da moldeira de transferência a ser utilizada.
 
Com relação à Ortodontia Lingual convencional, os sistemas customizados apresentam as seguintes vantagens:
 
1. Menor índice de descolagem por ficarem mais próximos às fases linguais e por apresentarem bases maiores e mais resistentes.
 
2. Os braquetes linguais customizados apresentam grande precisão no posicionamento, possibilitando melhores resultados finais quando comparados aos braquetes linguais pré-fabricados.
 
3. Pelo fato dos braquetes estarem mais próximos da superfície lingual dos dentes, eles propiciam maior espaço para a língua e favorecem a adaptação do paciente.
 
4. Facilidade de eventual recolagem de qualquer acessório customizado que tenha se soltado, uma vez que o braquete ou o tubo tem um perfeito encaixe sobre a superfície lingual do dente. Pode-se utilizar jigs para auxiliar na recolagem com exatidão.
 
5. O set up virtual facilita a visualização das mudanças no posicionamento dos dentes por meio das sobreposições de imagens.
 
6. O sistema Harmony utiliza braquetes autoligados, permitindo o estabelecimento de uma mecânica de baixo atrito enquanto utilizamos arcos de calibre menor, favorecendo a redução do tempo de cadeira, além da possibilidade de um intervalo maior entre os retornos. Ao instalar o último arco (0.018” x 0.025”), teremos a leitura total da prescrição e expressão total do set up.

A diferença básica entre os sistemas Incognito e Harmony – disponíveis no Brasil – é que o primeiro trabalha com canaleta vertical nos dentes anteriores, propiciando um bom controle de rotação, e canaleta horizontal nos dentes posteriores, que facilita o controle das inclinações. Já o Harmony utiliza braquetes autoligáveis com canaletas horizontais em todos os dentes, proporcionando grande controle de angulação e inclinação.
 
O aparelho Incognito utiliza somente arcos customizados, que são confeccionados com dobras específicas para cada caso clínico, permitindo que fique o mais próximo possível da base. No caso do aparelho Harmony, existe a opção de escolher entre oito tipos de arcos, sendo que os mais utilizados são em forma de mushroom, reto e otimizado, que une os benefícios dos dois primeiros. O profissional também recebe um template do arco ideal do seu paciente, caso seja necessário confeccioná-lo manualmente.
 
Ambos os sistemas customizados são confeccionados fora do Brasil, apresentando como desvantagem o alto custo dos dispositivos e o grande tempo para a chegada ao consultório.
 
Em resumo, o melhor sistema é aquele que dominamos, planejamos detalhadamente e evitamos o aparecimento de efeitos colaterais. Quanto mais precisa a preparação laboratorial, seja ela virtual ou manual, mais rápida e efetiva será a finalização. Para aqueles que precisam otimizar o dia a dia, um sistema customizado pode oferecer menos tempo dedicado a dobrar arcos, menor tempo de consulta e mais tempo para atender outros pacientes.
 
Figuras 1 - Sequência de tratamento com extração dos primeiros pré-molares superiores e inferiores, e fechamento do espaço com a utilização de mini-implantes, no sistema Incognito. Nota-se, na Figura C, os elásticos cruzados para controle da angulação mesiodistal na finalização.

 

Figura 2 - Set up do arco superior 
com braquetes e arco digitais.

Figura 3 - Braquetes virtuais no set up.

 

Figura 4 - Jig de transferência ainda no estágio digital. Figura 5 - Aparelho customizado Harmony superior.

 

 
Braquetes linguais híbridos
 
por Valter Ossamu Arima*
 
A técnica lingual teve início nos anos 1970 no continente asiático, especificamente no Japão, com o professor Dr. Kinya Fujita, que desenvolveu os braquetes linguais porque muitos de seus pacientes praticavam artes marciais e machucavam bastante a boca22. Fujita colou os braquetes nas faces linguais dos dentes, evitando assim traumas labiais em seus pacientes23. Nesta mesma época, nos Estados Unidos, o Dr. Kraven Kurz criou um método mais discreto de tratamento ortodôntico para uma de suas pacientes, que era “coelhinha” da revista Playboy. Para solucionar o problema estético, o Kurz também teve a ideia de colar os braquetes nas faces linguais dos dentes utilizando um aparelho praticamente “invisível”24.
 
Desde então, através de avanços tecnológicos, esta nova técnica foi se aprimorando em relação à forma e ao tamanho reduzido de seus braquetes, na tentativa de melhorar a sua adaptação. No mercado mundial existem braquetes variados em espessura e tamanho, proporcionando maior conforto ao paciente e um tratamento mais eficaz, visando excelência e tempo reduzido de tratamento25.
 
A procura pela Ortodontia Lingual tem aumentado progressivamente devido ao desenvolvimento de protocolos clínicos e tecnologias mais avançadas26. Atualmente, esta técnica atende uma grande demanda por ser potencialmente estética, considerando ainda o processo laboratorial personalizado, que envolve o set up, em sua maioria, tornando-se mais precisa e eficaz27 (Figura 1). 
 
Uma das etapas mais importantes para o sucesso na finalização do tratamento ortodôntico lingual é o set up da má-oclusão e a utilização de moldeiras de transferência dos braquetes para a colagem indireta28. As moldeiras servem como guia na colagem indireta para o correto posicionamento do braquete nos dentes dos pacientes, um exemplo seriam as moldeiras individuais Arima, que são reaproveitáveis, rígidas e personalizadas para cada dente29 (Figura 2). 
 
Atualmente, encontram-se disponíveis sistemas em que o braquete lingual é confeccionado por meio da tecnologia CAD/CAM, que minimiza o perfil do braquete e reduz o desconforto do paciente, pois as bases customizadas metálicas e os braquetes são fundidos em uma única unidade30, assim como o sistema Incognito, da 3M. Outro sistema seria o Harmony, da American Orthodontics, só que este é diferenciado pelo braquete autoligável. Ambos são customizados e em todas as sequências dos arcos são inseridas dobras de primeira, segunda e terceira ordem, realizadas por robôs27.
 
Assim, um novo modelo de utilidade surgiu a partir destes sistemas consagrados, o Hybrid System (Figura 3). Este é um sistema de aparelhagem customizada por meio de CAD/CAM, e prototipada em resina por meio de uma impressora 3D, posteriormente transformada em metal por meio de fundição. Em sua base já estão inseridas todas as prescrições: torque, in/out e angulação de cada dente, sendo o grande diferencial em relação aos outros sistemas. A base metálica é soldada ao braquete com o auxílio de soldas a laser e todo o conjunto é revestido por ouro através de galvanoplastia, sem interferir na redução do slot (Figuras 4).
 
O Hybrid System também é conhecido por sistema híbrido, pois aceita em sua confecção arcos dobrados manualmente do tipo mushroom ou straight-wire, e braquetes autoligáveis ou standard de qualquer marca. Nos casos em que predominam apinhamentos, é possível realizar a colagem indireta dos braquetes (Figura 5).
 
Alguns estudos na literatura demonstram a relação de resistência à força de cisalhamento de alguns braquetes linguais31-32. Os braquetes metálicos tiveram sua resistência bastante aceitável em relação a outros tipos de braquetes, sugerindo uma boa opção de tratamento e alternativa na Ortodontia Lingual. Entretanto, são necessárias mais pesquisas nesta área, comparando tipos de materiais, testes de cisalhamento e acompanhamentos clínicos, a fim de engrandecer estes novos sistemas da Ortodontia Estética baseada em evidências.
 
Figura 1 - Set up com os braquetes do Hybrid System.

 

Figura 2 - Moldeiras individuais Arima.

 

Figura 3 - Aparelho Hybrid System.

 

Figuras 4 
A. Fundição da base metálica. 
B. Soldagem a laser da base metálica e o braquete.

 

Figura 5 - Montagem do aparelho lingual Hybrid System, com seu primeiro fio 0,010” NiTi.

 

 
Referências
 
1. Grzić R, Spalj S, Lajnert V, Glavicić S, Uhac I, Pavicić DK. Factors influencing a patient’s decision to choose the type of treatment to improve dental esthetics. Vojnosanit Pregl 2012;69(11):978-85.
 
2. Geron S. Patient discomfort: a comparison between lingual and labial fixed appliances. Angle Orthod 2004;75:86-91.
 
3. Marigo M, Eto LF, Gimenez CMM. Ortodontia Lingual: uma alternativa incomparável para a terapia ortodôntica estética. 1a edição. Maringá: Editora Dental Press, 2012.
 
4. Scuzzo G, Takemoto K. Invisible orthodontics: current concepts and solutions in lingual orthodontics. Quintessenz, 2003.
 
5. Scuzzo G, Cirulli N, Macchi A. A simple lingual bracket (2D control) for minor crowding and periodontal problems. J Lingual Orthod 2000;1(3).
 
6. Scuzzo G, Takemoto K. Lingual Orthodontics: a new approach using STb Light lingual system & lingual straight wire. Quintessenz, 2010.
 
7. Lombardo L, Arreghini A, Al Ardha K, Scuzzo G, Takemoto K, Siciliani G. Wire deflection on characteristics relative to different types of brackets – International Orthod 2011;9(1):120-39.
 
8. Shpack N, Geron S, Floris I, Davidovitch M, Brosh T, Vardimon AD. Bracket placement in lingual x labial systems and direct and indirect bonding. Angle Orthod 2007;77(3):509-17.
 
9. Kalange JT. Indirect bonding – a comprehensive review of advantages. World J. Orthod 2004;5(6):301-7.
 
10. Prieto MGL, Gimenez CMM, Prieto LT. Adult class ii treatment using a new lingual bracket and skeletal Anchorage. J Clinical Orthod 2012;46(3):175-85.
 
11. Nidoli G, Lazzati M, Macchi A. Migliora l'estetica con l'incollaggio linguale dei bracket. Attualita' Dent 1988;18:12-20.
 
12. Kairalla SA, Kairalla RA, Miranda SL, Paranhos LR. Ortodontia lingual: um aparelho “invisível”. Rev Bras Cir Craniomaxilofac 2010;13(1):40-3.
 
13. Kairalla SA, Cacciafesta V, Maltagliati LA, Paranhos LR. Ortodontia Lingual: evolução da técnica e os braquetes autoligados. Rev Clín Ortod Dental Press 2011;10(3):106-12.
 
14. Tagliabue A, Levrini L, Macchi A: attacchi linguali Philippe: considerazioni cliniche. Mondo Ortod 2000;25:187-92.
 
15. Cacciafesta V, Sfondrini MF. One-appointment correction of a scissor bite with 2D lingual brackets and fiber-reinforced composites. J Clin Orthod 2006;40:409-11.
 
16. Kairalla SA, Cacciafesta V, Benedicto EN, Paranhos LR. Formas de inserção, fixação e remoção do arco na técnica lingual. Ortodontia SPO 2011;44(5):468-74.
 
17. Kairalla SA, Paranhos L R, Cacciafesta V. Ortodontia lingual com sistema 2D. OrtodontiaSPO 2012;45(3):295-305.
 
18. Macchi A. Tecnica Linguale e Tecnica Vestibolare: differenze biomeccaniche (parte I) Odontoiatria Oggi & Sel 1996;1:7-31.
 
19. Kairalla SA, Kairalla RA, Cacciafesta V. Otimização do braquete lingual 2D. OrtodontiaSPO 2014;47(1):59-64.
 
20. Fujita K. New orthodontic treatment with lingual bracket mushroom archwire appliance. Am J Orthod 1979;76:657-75.
 
21. Macchi A, Norcini A, Cacciafesta V, Dolci F. The use of “bidimensional” brackets in lingual orthodontics: new horizons in the treatment of adult patients. Orthodontics 2004;1:21-32.
 
22. Fujita K. Development of lingual bracket technique: esthetic and hygiene approach to orthodontics treatment. J Jpn Res Soc Dent Mater Appliances 1978;46:81-6.
 
23. Arima VO. Ortodontia lingual: tratamento invisível com resultado visível. Curitiba: Arima, 2013. p.544.
 
24. Romano R. Lingual Orthodontics. B.C. Decker Inc., 1998. p.3-7.
 
25. Scuzzo G, Takemoto K. STb (Scuzzo-Takemoto bracket) and light lingual philosophy: the new revolutionary STb brackets [On-line]. Disponível em <http://www.lingualnews.com>. Acesso em 11-3-2017.
 
26. Paul W. Bonding techniques in lingual orthodontics. J Orthod 2013;40(suppl.1):S20-6.
 
27. Wiechmann D. A new bracket system for lingual orthodontic treatment. Part 1: Theoretical background and development. J Orofac Orthop 2002;63(3):234-45.
 
28. Soldanova M, Leseticky O, Komarkova L, Dostalova T, Smutny V, Spidlen M. Effectiveness of treatment of adult patient with the straighwire technique and the lingual two-dimensional appliance. Eur J Orthod 2012;34(6):674-80.
 
29. Arima VO et al. Lingual technique-Arima’s transferring master mold [On-line]. Disponível em <http://www.lingualnews.com>. Acesso em: 11-3-2017.
 
30. Chatoo A. A view from behind: a history of lingual orthodontics. J. Orthod 2013;40(suppl.1):S2-7.
 
31. Sung JW, Kwon TY, Kyung HM. Debonding forces of three diferents customized bases of a lingual bracket system. Korean J Ortod 2013;43(5):235-41.
 
32. Arima VO. Influência do pad na resistência de união de braquetes linguais [dissertação]. Araras/SP, 2015.
 
 
 
   


Coordenador de conteúdo:

Alexander Macedo

 


 

 
   


 *Carla Maria Melleiro Gimenez

Mestra e doutora em Ortodontia – FOAr/Unesp; Professora dos cursos de especialização – FOR (Recife) e IOP (Campina Grande); Presidente da Associação Brasileira de Ortodontia Lingual; Autora do livro Ortodontia Lingual.


 

 

 


 * Silvana Allegrini Kairalla

Doutoranda em Ciências – Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Mestra em Ortodontia – Universidade Metodista de São Paulo (Umesp); Especialista em Ortodontia – Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas (ABCD); Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares – Conselho Federal de Odontologia (CFO); Especialista em Prótese Dentária – Universidade de São Paulo (USP).

 

 

 
   


 * Andreia Cotrim Ferreira

Mestra em Ortodontia – Fousp; Autora dos livros Ortodontia – Diagnóstico e Planejamento Clínico e Ortodontia Clínica, Tratamento com Aparelhos Fixos; Coordenadora dos cursos clínico e laboratorial em Ortodontia Lingual, e diretora do Centro de Pesquisa e Ensino em Ortodontia Lingual – Instituto Vellini.

 

 

 


 * Graça Guimarães

Especialista em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares – FOAr/Unesp e APCD Araraquara; Fellowship na disciplina de Alexander/Ortodontia em Arlington, no Texas (EUA); Certificação em Ortodontia Lingual – Incognito, STb, Orapix e Harmony.

 

 

 
   


 * Valter Ossamu Arima

Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, e mestre em Ortodontia – Uniararas/SP; Diplomado pelo World Board of Lingual Orthodontics (Osaka, Japão); Diplomado pelo Board Brasileiro de Ortodontia Lingual (Abol); Professor, diretor e coordenador para exames de membro efetivo da Abol; Professor convidado da banca avaliadora do exame da World Board of Lingual Orthodontics (Paris, França).