Publicado em: 04/05/2017 às 16h53

Para onde caminha a Ortodontia?

Em editorial, Flavio Cotrim-Ferreira projeta o futuro da Ortodontia.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo

Nossa especialidade vive um momento de intensa transformação, impulsionada pela propagação rápida e abrangente do conhecimento humano e mediada pela primeira geração verdadeiramente globalizada de ortodontistas que cresceram em um mundo digital e volátil. E um pensamento recorrente é: como será o futuro da Ortodontia?

Algumas importantes mudanças, iniciadas no século passado, devem prosseguir nos próximos anos, redirecionando nossa prática clínica. O acesso ao tratamento ortodôntico, antigamente restrito a uma pequena parcela dos brasileiros, vem se democratizando e com isso incrementando a saúde da população e favorecendo o crescimento da indústria nacional de materiais. Tratamentos ortodônticos, antes voltados à correção de desarmonias dentofaciais já instaladas, têm hoje um foco mais preventivo, minimizando a lesão aos tecidos periodontais e reduzindo a dor e o desconforto do paciente. A compreensão e a manipulação dos tecidos componentes do aparelho mastigador podem tornar a Ortodontia cada vez mais ágil e segura. Mesmo nas terapias em adultos, a nossa especialidade deve continuar trilhando um caminho de melhora da estética dos aparelhos, fazendo crescer a procura por braquetes cerâmicos e linguais ou por alinhadores transparentes.

No diagnóstico, a Ortodontia deverá se afastar dos tradicionais recursos bidimensionais, tal como a telerradiografia frontal e lateral, e usar com maior frequência a tomografia cone-beam e a ressonância magnética, métodos tridimensionais de avaliação. Nossa profissão aponta para o aumento da integração multidisciplinar, fazendo com que os pacientes sejam acompanhados simultaneamente por profissionais de Fonoaudiologia, Fisioterapia, Implantodontia, Periodontia, Dentística e Cirurgia Ortognática.

Apesar das tendências enunciadas acima, o caminho para o futuro da Ortodontia é sinuoso e repleto de possibilidades. Porém, dois aspectos são absolutamente certos: o primeiro é que a viagem acontecerá em velocidade crescente, com inovações surgindo cada dia mais rapidamente. Isso exigirá do profissional uma elevada predisposição à mudança e atualização de seus conceitos. A segunda certeza é que o combustível para nosso avanço profissional continuará sendo a educação continuada. Não apenas aquela iniciada nos cursos de graduação ou especialização, mas principalmente os conhecimentos constantemente atualizados em congressos ou cursos, obtidos em revistas científicas e livros, ou pesquisados diariamente em fontes confiáveis da internet.

Boa viagem!
 

 

Flavio Cotrim-Ferreira

Editor científico