Publicado em: 09/06/2017 às 09h15

Soluções viciadas na Implantodontia

Marco Bianchini apresenta um caso clínico e detalha o planejamento de reabilitações totais.

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Uma das situações clínicas em que os implantodontistas mais gostam de atuar são as reabilitações totais de maxila e mandíbula. E, quando a disponibilidade óssea é grande, estes casos dão um imenso prazer na sua realização, pois, na maioria das vezes, o resultado final fica muito satisfatório – pelo menos aos nossos olhos técnicos, e muitas vezes unilaterais, que só conseguem enxergar protocolos.

Na semana passada, realizamos um caso desses na minha clínica particular. O fato gerou certa discussão em nossa equipe de trabalho, especialmente no planejamento do arco inferior. Alguns queriam seguir a linha das exodontias estratégicas ou eutanásias dentais, e eu, como sempre, mordido pelo bichinho da Periodontia, optei por outro caminho. Vamos avaliar o caso através das radiografias iniciais e finais que seguem.

Figura 1
Figura 2
Figuras 1 e 2 – Radiografia panorâmica e tomada periapical dos dentes envolvidos.

 

Eu sempre gosto de solicitar tomadas periapicais para avaliar dentes que supostamente estariam condenados. Desta forma, conseguimos avaliar melhor os elementos dentais individualmente. Neste caso, observamos que na arcada superior temos apenas dois dentes que poderiam ser mantidos de alguma forma (13 e 14). Contudo, a manutenção destes elementos iria inviabilizar a confecção de um protocolo que, no arco superior, seria indiscutivelmente a melhor opção.

Já no arco inferior, se observarmos bem as periapicais, concluímos que existem alguns elementos que poderiam perfeitamente ser mantidos. São eles: 34, 35, 43, 44 e 45. A opção por esta manutenção dental muda o planejamento da reabilitação inferior para próteses mais individualizadas e a manutenção de elementos dentais passíveis de restauração, e com prognóstico positivo de permanência em boca por um longo prazo. Vamos agora observar as tomografias do caso.
 

Figura 3

 

FIgura 4

 

Figura 5

 

Figura 6

 

Figura 7

 

Figura 8

 

Figura 9
Figuras 3 a 9 – Excelente espessura óssea para se planejar e inserir pelo menos seis implantes no arco superior.

 

Observando a tomografia inferior (Figuras 10 a 16), também concluímos que há uma excelente condição óssea para se colocar implantes osseointegrados. Da mesma forma, observamos que existem dentes em plenas condições de serem mantidos, levando o planejamento a individualizar os implantes e próteses, descartando uma solução mais radical, que seria o protocolo com cinco ou seis implantes e a exodontia de todos os elementos inferiores.

 

Figura 10

 

Figura 11

 

Figura 12

 

Figura 13

 

Figura 14

 

Figura 15

 

Figura 16

 

Abaixo as radiografias após a colocação dos implantes.

Figura 17

 

Figura 18
Figuras 17 e 18 – Radiografias panorâmicas e periapicais após a colocação dos implantes osseointegrados. Observar a boa distribuição dos implantes hexágono externo no arco superior e cone-morse no arco inferior.

 

Quem faz manutenção de protocolos no longo prazo sabe bem o que encontramos por baixo deles. Seccionar reabilitações dá mais conforto ao paciente, facilita a higiene e diminui os traumas da transição de um paciente que possuía os seus dentes individualizados e passa a ter uma prótese fixa. Sem falar nos problemas peri-implantares que, na esmagadora maioria, são mais intensos em protocolos do que em implantes unitários ou em próteses de menor extensão.

A Implantodontia é uma especialidade que oferece várias alternativas para se chegar a um mesmo objetivo final. Entretanto, os bons resultados da osseointegração vêm nos carregando para um perigoso caminho da eutanásia dental. Realmente, muitos casos são mesmo para exodontias generalizadas e colocação de implantes. Porém, outras situações, como o arco inferior descrito neste caso, oferecem caminhos mais interessantes. Não se viciar em um único tipo de abordagem oxigena a mente e oferece alternativas aos clientes.


“E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.” (Genesis 1, 26-28)

 

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implandotontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br