Publicado em: 04/09/2017 às 10h12

Anoop Sondhi detalha o tratamento de casos complexos

Em entrevista ao brasileiro Alexander Macedo, o indiano radicado nos EUA debate os conceitos que adota para o tratamento de seus pacientes.

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Colagem indireta, tratamento interceptivo e uso da tecnologia 3D foram o foco da conversa entre Sondhi e Macedo. (Foto: Jaime Oide)

 

 
O ortodontista Anoop Sondhi dedica uma parte significativa de seu trabalho ao desenvolvimento de sistemas de tratamento eficazes relacionados à colagem indireta e tratamentos interceptivos de más-oclusões complexas e de desordens temporomandibulares. Indiano radicado nos Estados Unidos desde 1975, ingressou na pós-graduação e posterior mestrado na Univerdade de Illinois, em Chicago. Logo depois, fez doutorado em Dental Surgery na Univerdade de Indiana e foi convidado para integrar o corpo docente desta universidade.
 
A convite da revista OrtodontiaSPO, o ortodontista brasileiro Alexander Macedo, mestre em Ortodontia e Ortopedia Facial pela Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), conversou com Sondhi, que falou sobre os conceitos que adota para o tratamento de seus pacientes.
 
 
Alexander Macedo – Qual é a importância do tratamento interceptivo para resolver casos ortodônticos considerados complexos?
Anoop Sondhi – Muitas vezes, na dentição permanente, tratamos más-oclusões bastante desafiadoras, que podem ser geradas por discrepâncias esqueléticas ou dentes impactados. A ideia por trás do tratamento interceptivo é simplificar um problema complexo, então, por exemplo, se podemos com um tempo adequado de expansão evitar a impactação dos caninos, pouparia o paciente de um procedimento cirúrgico ou tratamento prolongado. A abordagem diagnóstica ocorrendo em torno de sete a nove anos de idade, dependendo da criança, pode identificar se esse problema vai se tornar complexo e, em caso positivo, fazer o tratamento interceptivo. Se não for um problema complexo, a criança fica sob observação até estar pronta para o tratamento. A ideia é minimizar o número de extrações e o risco de cirurgia, e obter o melhor resultado.
 
 
Macedo – Quais são as principais vantagens da colagem indireta para o ortodontista?
Sondhi – A primeira e mais significativa vantagem é a precisão na colocação dos braquetes, além da baixa necessidade de reposicionamento deles, que implica em menor tempo de tratamento. Sabemos que, com a colagem indireta fotopolimerizável, temos tempo suficiente de trabalho e reduzimos a quantidade de horas clínicas, pois os braquetes podem ser colocados em modelos – e eu costumo dizer que a hora clínica é o bem mais precioso no consultório.
 
 
Macedo – Quais são os benefícios da utilização de tecnologia 3D no tratamento ortodôntico, para o paciente e para o ortodontista?
Sondhi – As vantagens são apresentadas em dois níveis. O primeiro é a aquisição da imagem, pois com o escaneamento digital será possível evitar os moldes. Como muitos dos nossos pacientes são crianças – geralmente, nunca fizeram molde antes –, a tecnologia digital evita os engasgos e que a primeira experiência no consultório seja desagradável, além de ser possível fazer os dois arcos em cerca de 90 segundos. O segundo nível de vantagem é que a tecnologia digital oferece uma nova forma de diagnóstico, como a tomografia de feixe cônico. Por exemplo, agora, quando estou tomando uma decisão sobre um canino impactado, eu consigo dizer exatamente onde ele está posicionado. A imagem tridimensional também propicia a realização do tratamento digital. Por meio de softwares de escaneamento, conseguimos projetar na tela e posicionar os braquetes e fios virtualmente, sendo útil durante a consulta para mostrar ao paciente como ficará o resultado em seus próprios dentes. Gosto do conforto para o paciente, da capacidade de mostrar o resultado e do fato de poder ser mais preciso na colocação dos braquetes ao calcular os danos.
 
 
Macedo – Que conselho você daria aos jovens ortodontistas para que construam uma prática clínica de sucesso?
Sondhi – Quem está começando hoje não tem os mesmos desafios que tivemos quando começamos, há 30 ou 40 anos. Os desafios são diferentes por algumas razões: a concorrência é muito maior do que costumava ser e os pacientes estão mais bem informados, pois pesquisam na internet. No começo da minha prática, o paciente dependia de mim para informar tudo a ele. Hoje, além dele pesquisar tudo antes da consulta, ainda vai verificar minhas respostas na internet quando sair do consultório – e as respostas encontradas on-line podem ser boas ou não. O jovem dentista não tem a vantagem que um senhor como eu tem, pois posso dizer à mãe da criança que “tratei centenas de pacientes como o seu filho”. Então, ele precisa aprender a estabelecer a sua credibilidade, e isso exige que a consulta seja muito bem feita. Eu sempre digo a quem está começando: “Quando você for receber novos pacientes, prepare-se para a consulta”. A melhor maneira de se preparar é se filmar, para que você veja como é a sua apresentação ao paciente. Além disso, os jovens dentistas precisam ser muito ativos nas redes sociais. Os pacientes mais jovens esperam poder entrar em contato por e-mail, Facebook, Instagram etc. As pessoas têm a expectativa da resposta imediata, e elas não vão ligar para o consultório. Outra frase que costumo repetir sempre para eles é: “Você vai fazer isso por muito tempo, então, não pense no curto prazo e não se preocupe em fazer algo imediatamente. Seja fiel a seus pacientes, pois você quer trabalhar tempo suficiente para que eles cresçam e tragam seus filhos para se consultarem com você”. E eu estou exatamente nesse momento da minha carreira. Existem pacientes que, se tiverem a confiança de que você vai colocar os interesses deles acima dos seus, se casarão, talvez se mudem para outra cidade, mas vão voltar. Então, sempre antes de tomar uma decisão ou dar qualquer recomendação para uma mãe, pergunte a si mesmo: “O que eu faria se fosse minha filha ou meu filho?”. E simplesmente faça para os filhos dos outros o que você faria para os seus. As pessoas veem e sentem isso, e simplesmente não vão embora.