Publicado em: 04/09/2017 às 10h14

Professor guru ou professor Red Bull?

Flavio Cotrim-Ferreira analisa as características mais importantes entre os mestres que estimulam a pesquisa de conteúdos científicos e o debate.

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Uma recente publicação da Harvard Business Review, redigida pela mestra em Psicologia e PhD em comportamento organizacional Margarita Mayo, aborda um tema que diz respeito a todas as empresas: as características de personalidade do líder e sua influência no desempenho da organização.
 
Ela defende a tese de que pessoas humildes e despretensiosas ajudam no desenvolvimento do negócio, uma vez que possuem uma visão mais equilibrada de si mesmas, tanto em suas virtudes quanto deficiências, potencializando um ambiente mais colaborativo. Ao fomentar a autoestima de seus seguidores, consegue-se que os esforços sejam canalizados para o bem coletivo.
 
Em oposição ao líder humilde está o gestor narcisista e carismático, aquele que inspira seus seguidores com entusiasmo e devoção pela marcante presença e magnetismo. Esse gestor tem mais facilidade de ser empossado como líder, pois sabe como chamar a atenção para si mesmo e muitas vezes consegue produzir ações arrojadas e inovadoras, fascinando as pessoas com seu espetáculo.
 
Contudo, os estudos citados na publicação revelam que líderes egocêntricos tendem a abusar de seu poder e reduzir a troca de informações dentro do grupo, minimizando o diálogo e criando situações de alto risco para a empresa. Em resumo, os líderes humildes melhorariam o desempenho de uma empresa em longo prazo, pelo fato de favorecerem ambientes colaborativos.
 
E como esse conhecimento pode ser usado em nossa área? Entendo que, além de estimular uma postura mais humilde do ortodontista com sua equipe de colaboradores, esses conceitos também são fundamentais para o ensino da Odontologia.
 
Ao longo dos anos de vivência universitária e associativa, percebi que os professores com comportamento mais egocêntrico, que encantam seus seguidores e ditam métodos e técnicas apresentadas como extraordinárias, reduzem o senso crítico e a busca pela inovação, tolhendo o espírito científico de seus alunos.
 
Por outro lado, percebo que os mestres que estimulam a pesquisa de conteúdos científicos e o debate, não se importando em redirecionar suas convicções, são mais eficientes na consolidação de conhecimentos, tornando seus alunos mais seguros e independentes para tomar decisões clínicas.
 
Assim, respondendo à pergunta do título deste editorial, entendo que devemos ser cuidadosos com o professor que se comporta como um guru, dando mais atenção ao professor Red Bull, aquele que conforme o slogan da famosa bebida energética “te dá asas”.
 
 

 

Flavio Cotrim-Ferreira

Editor científico