Publicado em: 26/10/2017 às 15h46

OrtoNews 2017: a Ortodontia brasileira lado a lado com a tecnologia

Em cinco cursos de imersão de nível internacional, o evento discutiu a relevância da digitalização dos processos e tratamentos ortodônticos.

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A edição 2017 do OrtoNews colocou em pauta o sistema autoligado interativo. (Fotos: Panóptica Multimídia)

 

Por Renata Putinatti
Colaboração: Julio Gurgel

 


Com foco no desenvolvimento de novas tecnologias, o OrtoNews celebrou seus 10 anos levando conteúdo de alta qualidade aos ortodontistas brasileiros e da América Latina. A edição 2017 do evento colocou em pauta o sistema autoligado interativo, assunto que foi amplamente discutido em forma de cursos de imersão ministrados por estrelas da Ortodontia mundial: Celestino Nóbrega (Brasil), Raffaele Spena (Itália), Andrés Giraldo (Colômbia), Martin Epstein (Estados Unidos) e Rogério Tupinambá (Brasil).

Promovido pela Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO) e realizado pela VM Comunicação, o OrtoNews 2017 recebeu mais de 300 participantes nos dias 15 e 16 de setembro, no Centro de Convenções Rebouças, na capital paulista. O clima de otimismo era evidente entre os presentes e a comissão organizadora. “Embora o Brasil não esteja vivendo seus melhores dias, nossa Ortodontia segue evoluindo de forma consistente e abrindo cada vez mais espaço para nossos talentosos profissionais. Bons e maus governantes passam, mas a população fica”, afirmou Osny Corrêa, coordenador geral do evento.

Para Celestino Nóbrega, coordenador científico do OrtoNews 2017, um dos maiores diferenciais dessa edição é que todas as informações convergem para uma ideia básica. “Queremos mostrar que a prescrição Complete Clinical Orthodontics (CCO) é uma tecnologia aplicável, totalmente factível e que pode ser usada imediatamente nos consultórios. Ao lado de outros profissionais, participei do desenvolvimento dessa importante ferramenta que está presente no mundo todo e precisa ser inserida na Ortodontia do Brasil”, ressalta.

Além dos cinco cursos de imersão, o público pôde conferir 43 painéis científicos digitais, divididos nas categorias Caso Clínico e Pesquisa Básica, e ainda conhecer as novidades em produtos e serviços oferecidas pelas empresas participantes da exposição promocional ExpoOrtoNews 2017. Paralelamente, também houve a apresentação de workshops com foco em Ortodontia Digital promovidos pelas empresas Invisalign e Compass.


Abordagens

A programação científica começou com a aula de Celestino Nóbrega sobre a complexidade da inteligência artificial e da nanotecnologia, enfatizando como as inovações tecnológicas partem dos laboratórios de pesquisa e chegam no dia a dia da população. O mesmo ocorre na Ortodontia: as inovações partem das pesquisas básicas trazendo, após anos de aprimoramento, melhorias para o tratamento dos pacientes. Nóbrega concluiu que isso ocorreu com o sistema de braquetes autoligado CCO, que aperfeiçoou a geometria dos arcos metálicos e a qualidade dos clips metálicos para os tratamentos realizados com os braquetes autoligados.

Celestino Nóbrega abriu o evento falando sobre as inovações tecnológicas.

 

Na sequência, Raffaele Spena (Itália) abordou a influência das perfurações corticais e corticotomias para aceleração do movimento dentário. Tecnicamente simples, as perfurações são indicadas para a região anterior vestibular da arcada, onde a cortical óssea é mais delgada. A corticotomia, por sua vez, é recomendada principalmente para a região posterior mandibular ou áreas edêntulas. Como parte do tratamento ortocirúrgico, Spena comentou também sobre o tracionamento de dentes não irrompidos, destacando o uso de mini-implante como um elemento estratégico de ancoragem. Especialmente para casos mais complexos, o movimento do dente tracionado deve ser realizado inicialmente em nível bem abaixo do plano oclusal, para que ocorra com o dente circundado por tecido ósseo e até que o seu posicionamento axial seja favorável ao tracionamento.

 

O movimento ortodôntico facilitado em casos complexos foi o tema abordado por Raffaele Spena.

 

O segundo dia do encontro começou com Andrés Giraldo (Colômbia) falando sobre a alternativa de exodontia de segundos pré-molares como forma de reduzir o impacto da extração dentária no aspecto estético do sorriso. Como normatiza em seu protocolo a inclusão dos segundos molares no aparelho fixo, Giraldo destaca que este acréscimo na ancoragem minimiza a inclinação mesial dos primeiros molares. Ele também apresentou inúmeras dicas clínicas, como o uso do fio 0.020” x 0.020” para expressão do torque logo no início do nivelamento com o sistema CCO (slot 0.022”), o elástico corrente torcido para redução do acúmulo de resíduos e a torção do fio Bioforce dentro do slot do braquete como forma de inclusão de torque maior no arco termoativado.

 

A simplicidade do sistema CCO foi uma das vantagens destacadas por Andrés Giraldo.

 

Em seguida, Rogério Tupinambá expôs os métodos para acelerar o tratamento ortodôntico. Ele destacou principalmente o uso clínico de vibração mecânica para gerar um incremento da atividade celular no ligamento periodontal, reduzindo o tempo necessário para movimentar os dentes. Também apresentou outras técnicas de aceleração do tratamento ortodôntico, como laserterapia, biomodulação por luz e corticotomia.

 

Rogério Tupinambá apresentou a aula “Ortodontia invisível: pequenos movimentos e grandes resultados”.

 

Fechando a programação científica, Martin Epstein (Estados Unidos) mostrou o tratamento das classes II e III em grau crescente de complexidade. Inicialmente, enfatizou diferentes ferramentas de diagnóstico (medidas faciais, cefalométricas e discrepância de modelos) para identificar as discrepâncias e compensações a serem corrigidas com o tratamento ortodôntico. Em seguida, seus casos clínicos ilustraram que o melhor entendimento do crescimento craniofacial e dos aparelhos, como propulsores mandibulares e máscara facial, tem reduzido o número de pacientes adultos tratados cirurgicamente e os tratamentos com necessidade de extrações. Epstein se mostrou um entusiasta do sistema de alinhadores ortodônticos, inclusive no tratamento de classes II e III, desde que identificadas como de origem dentárias. Para a classe II, é indicado para as más-oclusões possíveis de serem tratadas com o auxílio de elásticos intermaxilares, enquanto para a classe III seria acompanhado por desgastes interproximais, que permitem a correção por meio de compensação dentária.

 

O foco da aula de Martin Epstein foi o tratamento das classes II e III.

 

De maneira geral, os cinco ministradores demonstraram uma vasta experiência clínica e enfatizaram que o jovem ortodontista deve valorizar a formação básica em biomecânica e diagnóstico, além de adquirir domínio técnico para trabalhar com as novas tecnologias.

 

 

Sessão de autógrafos

Durante o evento, houve uma tarde de autógrafos que marcou o lançamento do livro Ortodontia – Today & Tomorrow, com autoria de Celestino Nóbrega e Martin B. Epstein, e com a colaboração de Andrés Giraldo, Rogério Tupinambá e outros coautores. Publicada pela Quintessence Editora, a obra mostra, em suas 370 páginas, uma paixão pelo ensino e foi dedicada às futuras gerações de ortodontistas. Nela, há uma clara exposição dos benefícios biomecânicos exibidos em mais de 600 imagens clínicas.