Publicado em: 29/01/2018 às 13h48

Um texto relevante

O editor científico Flavio Cotrim-Ferreira recomenda seguir as receitas dos mais experientes e bem-sucedidos autores do mundo.

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Apesar de serem incontáveis os conteúdos escritos todos os dias em jornais, revistas, livros ou na internet, somente uma pequena parcela pode ser considerada relevante, merecendo atenção por sua importância e significado. Livros sobre astrofísica, história e genética podem ser alvo da curiosidade e respeito de milhões de pessoas. É justo concluir que não são apenas especialistas que conseguem ler e entender esses assuntos complexos.

O best seller “O gene egoísta”, de Richard Dawkins, foi considerado, em 2017, pela The Royal Society of London, como o livro científico mais influente de todos os tempos. Ficou à frente de “Origem das Espécies”, de Charles Darwin, e de “Principia Mathematica”, de Isaac Newton. No prefácio da primeira edição, o biólogo dedica sua obra a três leitores imaginários, que espreitavam sobre seus ombros enquanto ele escrevia.

Em primeiro lugar, pensava no público leigo, evitando termos extremamente técnicos ou fornecendo a definição exata de cada um deles. Pressupôs que o leigo não tinha o conhecimento específico, sem imaginar, contudo, que fosse um leitor estúpido. Nos artigos a serem publicados em revistas científicas odontológicas, tais como a OrtodontiaSPO, eu faria um paralelo entre o leigo e o cirurgião-dentista clínico geral, que conhece superficialmente nossa especialidade, mas não tem total domínio do assunto.

O segundo leitor imaginário de Dawkins é o especialista, que funcionou como um crítico impiedoso às suas analogias e figuras de linguagem. Em nosso caso, tal papel seria desempenhado pelo ortodontista ou o pós-graduado em Ortodontia, que exige dos autores de artigos científicos a formalidade do pensamento, a precisão na coleta e manipulação dos dados, assim como a isenção na apresentação dos resultados.

Por fim, o estudante de pós-graduação foi o terceiro leitor imaginário relatado por Dawkins, situado na metade do caminho entre o leigo e o especialista. Para esse público, o texto deve servir principalmente como fonte de inspiração, encorajando-o a aprofundar seus estudos em uma determinada área de interesse. Também devemos ser rígidos na citação bibliográfica, fornecendo, assim, as pesquisas originais que guiarão seus futuros trabalhos.

Nossa sugestão é, portanto, seguir as receitas dos mais experientes e bem-sucedidos autores do mundo. Eles podem nos guiar na difícil tarefa de escrever e ser compreendido.

 

 

Flavio Cotrim-Ferreira

Editor científico