Publicado em: 04/04/2018 às 14h00

Viagem com tempestade

Flavio Cotrim-Ferreira, editor científico da revista, ressalta a necessidade do ortodontista levar o cliente com sucesso até o final do tratamento.

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Acho interessante comparar o tratamento ortodôntico a uma longa viagem, na qual o profissional precisa entender as necessidades do seu cliente para saber até onde ir, deve planejar a rota de modo a realizar um bom diagnóstico dos possíveis problemas no trajeto e, finalmente, pilotar adequadamente o veículo (no nosso caso, os aparelhos ortodônticos) até o destino final. O entendimento do quadro completo, a atenção aos detalhes e o cuidado em cada fase do processo caracterizam uma Ortodontia de sucesso.

Essa analogia é especialmente válida para entendermos o tratamento ortodôntico dos pacientes com comprometimento periodontal, matéria de capa desta edição. Nesse tipo de terapia, poderíamos imaginar que foi prevista uma tempestade ao longo do trajeto.

Nossa primeira tarefa é estimar a dimensão da tormenta, se necessário, com a ajuda de especialistas na área climática. O mesmo deve ser feito no consultório, valendo-se dos profissionais de Periodontia, Implantodontia e Prótese Dentária, e de exames diagnósticos detalhados. Os conhecimentos reunidos por essa junta clínica podem deliberar se o deslocamento é inviável, caso a “tempestade periodontal” seja muito intensa, ou se o percurso for possível, nessa situação, mapeando a rota mais segura para o caso. Por vezes, deixar de realizar um tratamento ortodôntico é a melhor opção para o paciente.

Em seguida, selecionaremos o “veículo” mais adequado para fazer a viagem com eficiência e segurança. Imaginem que enfrentar um mesmo temporal com um avião, um barco ou um automóvel pode ser bastante diferente. De maneira análoga, as mecânicas ortodônticas muito intensas, que aplicam forças pesadas em curtos períodos de tempo, são extremamente arriscadas em pacientes com envolvimento periodontal severo. Talvez seja melhor optar por movimentação dental mínima, com longos intervalos entre as ativações, uma vez que há pouca área de inserção do ligamento periodontal.

A “pilotagem” do tratamento ortodôntico é o controle biomecânico, enfatizando que esses pacientes possuem o centro de resistência deslocado para apical e, por isso, a tendência de inclinar os dentes é muito maior. Assim, o ortodontista precisa conduzir a mecânica com máxima atenção durante todo o percurso. Traumas oclusais, surgidos durante a terapia, podem ter efeitos devastadores em um paciente de periodonto frágil.

 Para concluir, devemos ter em mente que a prioridade de nosso tratamento, assim como na pilotagem de um veículo, é levar o cliente a salvo até o destino final.

 

 

Flavio Cotrim-Ferreira

Editor científico