Publicado em: 29/05/2018 às 11h10

Desafios para a gestão de equipe e de pacientes

Flavio Falcão Bauer aponta que a gestão de pessoas talvez seja o mais importante fator de sucesso para um negócio.

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A gestão de pessoas, se não feita corretamente, pode ser responsável pelo naufrágio da clínica. (Imagem: Shutterstock)

 

A gestão de pessoas talvez seja o mais importante fator de sucesso para um negócio e, se não realizada de maneira correta, pode ser uma das responsáveis pelo naufrágio da clínica.

Primeiro vamos falar sobre a gestão da equipe, que pode ser formada por técnicos de higiene dental (THD) ou dentistas, pela secretária e pela faxineira. Em uma clínica de porte médio, teremos, no mínimo, quatro pessoas, além do próprio contratador. O problema para esses funcionários é a falta de um plano de carreira – a não ser que a clínica se transforme em uma empresa. Não sendo uma empresa, a única chance de ganhos de aumentos reais é a clínica ser bem-sucedida para a equipe crescer conjuntamente.

A Odontologia se tornou uma commodity e os preços e as técnicas são conhecidos e comparados – sendo assim, tendem a se achatar. Consequentemente, os salários têm uma progressão lenta, e manter o pessoal motivado e se aperfeiçoando se transformou em um trabalho difícil e delicado. Sempre devemos ter como objetivo o incentivo, por exemplo, custeando cursos de aprimoramento.

Em um segundo momento, abordando a gestão dos pacientes, as clínicas podem adotar dois modelos: 1) ter preços elevados e menor volume de pacientes ou 2) ter preços menores e maior volume de pacientes.

Lidar com pessoas que pagam um valor elevado pelos procedimentos requer muito tato. Você tem a grande vantagem de trabalhar menos e obter um resultado mais lucrativo, entretanto corre-se o risco de perder o status e “não ser mais o profissional da moda”, o que definharia a clínica rapidamente.

Os modelos de negócio que trabalham com maior volume de atendimento apresentam outros problemas, como maior número de pessoas trabalhando, maior gasto com material, maior número de horas trabalhadas do profissional responsável e mais dificuldade em gerir todos os itens mencionados. Porém, os mesmos fatores problemáticos também podem ser positivos: em momentos de crise, há estabilidade nas finanças graças à grande rotatividade de clientes.

No dia a dia da clínica há horários de grande procura e outros em que ela está ociosa. Principalmente naquelas que atendem adolescentes e crianças, a marcação e os cancelamentos acabam acarretando transtornos para os profissionais que escolheram trabalhar com clínicas cheias. Já em modelos de negócio que optaram por valores mais elevados, quando o paciente desmarca, há dificuldade para substituí-lo.

Em resumo, gerir uma clínica – assim como gerir pessoas – tornou-se algo que exige cada vez mais conhecimento, flexibilidade, boa vontade e profissionalismo. As faculdades pouco ou nada preparam seus alunos para esse tipo de dificuldade. Assim, temos que contar com a nossa intuição e capacidade pessoal, além de cursos que nos capacitem melhor.
 

 

 

Flavio Falcão Bauer

Graduação e mestrado pela Universidade de São Paulo (Fousp).

 

 

A cada edição, Flavio Falcão Bauer analisa as oportunidades de mercado e aponta os caminhos possíveis para fazer da Ortodontia um bom negócio.