Publicado em: 15/08/2018 às 13h11

Claudio Miyake: a Odontologia quer voz na política

Fundador do movimento “Juntos pela Odontologia” explica objetivos do grupo e convida profissionais do setor na busca pela valorização da saúde bucal.

  • Imprimir
  • Indique a um amigo
Claudio Miyake é fundador do Movimento “Juntos pela Odontologia”.


Dizem que futebol, religião e política não se discutem, mas quase ninguém leva essa recomendação a sério. Pelo menos no que diz respeito às próximas eleições, muito precisa ser debatido, principalmente entre os cirurgiões-dentistas, que enfrentarão seu primeiro pleito depois do lançamento do movimento “Juntos pela Odontologia”.

O movimento foi lançado com o apoio de diversas lideranças do setor odontológico em  janeiro, durante o Ciosp 2018. A mensagem do grupo é clara: a Odontologia precisa de representantes na esfera política, caso contrário vai perder cada vez mais espaço para outros segmentos.

Para saber mais sobre o que vem por aí, a OrtodontiaSPO conversou com o presidente licenciado do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), Claudio Miyake, que é fundador do Movimento “Juntos pela Odontologia”. Nesta entrevista, Miyake explica como o grupo pretende fortalecer a representação da Odontologia em cada região.
 

OrtodontiaSPO – Depois de tantos anos, a Odontologia continua sem a representatividade adequada na esfera política. Como isso nos afeta, em sua opinião?
Claudio Miyake – Temos alguns cirurgiões-dentistas que ocuparam (e ocupam atualmente) posições nas Câmaras dos Vereadores de suas cidades, nas Assembleias Legislativas de seus estados e até no Congresso Nacional. No entanto, nas últimas décadas, não conseguimos eleger um candidato que estivesse integralmente comprometido com o fortalecimento da Odontologia, alguém com uma proposta consistente para melhorar definitivamente a saúde bucal da população.

Ao longo do tempo, tivemos algumas tentativas bem intencionadas nesse sentido, mas nenhuma delas vingou, infelizmente. Sem uma representação concreta, ficamos dependendo do engajamento de políticos alinhados com outros segmentos para aprovar nossas demandas.

Isso é pouco para a Odontologia brasileira, que é a segunda maior do mundo. Somos mais de 400 mil profissionais, entre cirurgiões-dentistas, TPDs, ASBs e TSBs. Considerando nossa indústria instalada e todos os empregos gerados indiretamente, somos um segmento ainda mais representativo.

A falta de representantes no legislativo deixa a população desassistita. Um exemplo disso é o sistema público desaparelhado, com profissionais de saúde mal remunerados. Na rede privada, os produtos são encarecidos por impostos exorbitantes e a burocracia é excessiva. O Brasil possui um contingente enorme de pessoas que negligenciam sua saúde bucal, seja por falta de recursos financeiros, seja por falta de informação. Ou seja, melhorar o atendimento na rede pública é apenas parte do nosso desafio. Tem muita gente que pode pagar pelo tratamento odontológico, mas prefere comprar um smartphone novo, pintar o cabelo ou comprar uma roupa nova. Precisamos de uma campanha permanente de educação que mostre que a Odontologia é tão importante quanto qualquer outro procedimento de saúde. Devemos ensinar a população sobre os reais benefícios que a Odontologia pode trazer para sua qualidade de vida.


OrtodontiaSPO – Você foi um dos fundadores do movimento “Juntos pela Odontologia”. Recentemente, anunciou sua candidatura a Deputado Estadual em São Paulo. Como essas duas iniciativas estão correlacionadas?
Claudio Miyake – O “Juntos pela Odontologia” é um movimento nacional cujo objetivo é justamente fortalecer a representação política da Odontologia em caráter nacional. Não se trata de um interesse ou objeto pessoal. É um movimento suprapartidário para que todos os profissionais do Brasil envolvidos com a promoção da saúde bucal finalmente se articularem em torno de um objetivo comum. Eu sou fundador do movimento, mas existem epresentações em todo o País. Minha candidatura, obviamente, está alinhada com os objetivos do grupo para uma representação em São Paulo. Existem outros nomes pelo Brasil e os profissionais de Odontologia de cada região devem buscar quem são os nomes que concorrerão em seus respectivos estados.

É preciso esclarecer, no entanto, que nós devemos encarar essa eleição apenas como o primeiro passo em nossa longa jornada. Precisamos montar a bancada da Odontologia, com inúmeros representantes lutando de forma unificada pelos nossos objetivos em todas as posições do legislativo. Obviamente, eu me preparei muito para esse momento. Estou em meu segundo mandato como vereador em Mogi das Cruzes (SP), onde também atuei como Secretário da Saúde. Além disso, tive a honra de presidir o Crosp por dois mandatos, imprimindo uma nova dinâmica na gestão da autarquia. Atualmente cumpro o terceiro mandato, do qual estou licenciado.


OrtodontiaSPO – Quais as principais diretrizes do movimento?
Claudio Miyake – Há muito para se fazer. No entanto, nosso grupo elegeu cinco diretrizes prioritárias que são a espinha dorsal da nossa proposta. São elas: defender e proteger os interesses da classe odontológica; modernizar a Odontologia, trabalhando pela atualização da legislação de forma contínua; criar um quadro favorável para a Odontologia empresarial; garantir o acesso universal à saúde bucal no Brasil; e garantir a qualidade mínima e a segurança sanitária na prática da Odontologia.

Veja bem, cada uma dessas diretrizes pode ser desenvolvida por meio de inúmeras iniciativas, que deverão ser articuladas com as lideranças regionais. O movimento é nacional e cada representante precisa entender o seu contexto regional e o alcance concreto de seu cargo. Também é preciso construir alianças para aprovar as leis que desejamos. Aqui, em São Paulo, eu tenho a vantagem de já contar com um grupo que nos apoiou em outras oportunidades.


OrtodontiaSPO – A classe política brasileira passa por um momento de renovação e muita cobrança. Você acha que está preparado para lidar com essa mudança?
Claudio Miyake – Eu luto por essa mudança todos os dias, mesmo porque eu considero que faço parte dessa geração que está renovando a política. A Odontologia não pode continuar desarticulada, desunida, enfraquecida. No entanto, o compromisso ético precisa estar acima de qualquer objetivo classista.

A sociedade que cobra e questiona seus representantes é muito mais saudável. É assim que a democracia brasileira deve funcionar. Em minha experiência à frente do Crosp, eu passei por isso com muita tranquilidade, assim como em meu mandato como vereador e Secretário da Saúde de Mogi das Cruzes. A grande diferença é que esta minha candidatura é muito mais do que um desejo pessoal. Estamos aqui em um projeto coletivo para mudar a Odontologia e isso só será possível se trabalharmos juntos. Nosso movimento não leva o nome “Juntos pela Odontologia” por acaso.