Publicado em: 10/09/2018 às 16h36

Qual é o equipamento fotográfico ideal?

Os equipamentos digitais são mais vantajosos frente aos convencionais, mas existem situações que exigem outros recursos.

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É possível escolher equipamento intermediário entre câmera de smartphone e profissional. (Imagem: Shutterstock)


O registro fotográfico dos pacientes odontológicos tem se tornado rotineiro em muitas clínicas. Os objetivos são variados, desde uma simples documentação pré e pós-tratamento até o planejamento e execução de tratamentos seguindo um fluxo totalmente digital.

Então, surge uma pergunta: qual é o equipamento fotográfico ideal? A resposta é simples: depende da finalidade de uso das imagens. Sabe-se que os equipamentos digitais são mais vantajosos frente aos convencionais, portanto são quase unanimidade na escolha. Se as fotos forem utilizadas para registros pré e pós-tratamento, para motivação e para auxílio no planejamento, a câmera fotográfica de alguns smartphones e tablets são ideais. Atualmente, essas câmeras contam com recursos adicionais, como lentes e flashes auxiliares que potencializam suas qualidades, além dos aplicativos presentes nesses dispositivos que auxiliam no planejamento dos tratamentos (Figuras 1).
 

Figuras 1 – A. Smartphone com acessório de iluminação smile lite. B. Tablet com aplicativo digital smile design (DSD), utilizado no registro de imagens e planejamento do tratamento. (Imagens cedidas pelo Instituto Mont’Alverne de Odontologia e Ensino).

 

Também é possível escolher um equipamento intermediário entre as câmeras dos smartphones/tablets e as profissionais: as câmeras compactas avançadas, que têm como vantagem o ajuste de determinados recursos (mesmo com algumas limitações) quando na função “manual”.

Diferentemente dos equipamentos profissionais, nelas a objetiva (lente) e o corpo da câmera são uma estrutura única, portanto não permite a substituição das objetivas (Figura 2). Por outro lado, quando desejamos imagens com maior qualidade, nitidez e detalhes – características importantes no registro/apresentação com finalidades educacionais e científicas –, as câmeras semiprofissionais ou profissionais do tipo digital single lens reflex (DSLR) intercambiáveis, associadas com uma objetiva do tipo macro e flash circular, são as mais indicadas. Nas câmeras DSLR, os registros capturados são idênticos à imagem visualizada durante a composição da fotografia, sem distorções. O termo “intercambiáveis” refere-se à possibilidade de substituição das objetivas, de acordo com a modalidade fotográfica. Em Odontologia, o ideal é a objetiva do tipo macro, já que realizamos a macrofotografia, ou seja, o registro de pequenos objetos (boca, dentes, implantes, pequenas cirurgias etc.) com a captura de imagens em escala natural ou aumentada cerca de dez vezes o tamanho natural.

Outro acessório imprescindível para as fotografias intrabucais é o flash, pois o “objeto” a ser fotografado encontra-se em um ambiente escuro. O ideal é o flash do tipo circular, também conhecido como ring flash, que emite uma luz em torno de toda a objetiva, permitindo que todo o “objeto” seja iluminado sem a formação de sombras. Além disso, ele pode ser utilizado em todas as tomadas fotográficas, desde que regulado corretamente (Figura 3).
 

Figura 2 – Câmera compacta avançada
Canon PowerShot SX530 HS.
(Fonte: www.bhphotovideo.com).
Figura 3 – Câmera Canon EOS Rebel T3i
com objetiva Canon Macro 100 mm e flash circular
Canon Macro Ring Flash 14EX.

 

Por outro lado, nas fotografias extrabucais o flash pode ser dispensado, desde que o local onde será realizada a fotografia tenha uma boa iluminação natural ou artificial.

Uma excelente alternativa para as fotografias extrabucais (também indicados para as intrabucais anteriores) são os flashes auxiliares tipo soft box, utilizados rotineiramente pelos fotógrafos profissionais, que emitem uma luz suave e difusa formando áreas naturais de sombra que valorizam e destacam os contornos faciais, conferindo à fotografia um efeito tridimensional (Figuras 4).
 

Figuras 4 – A. Fotografias realizadas com flash do tipo soft box. B. Extrabucal. C. Sorriso. D. Intrabucal.

 

Fica a dica: independentemente do equipamento fotográfico, escolha um que tenha a função “movie”. O registro de imagens por meio de filmes auxilia no diagnóstico e planejamento do tratamento, como o registro de movimentos mandibulares, alterações de fala, postura lingual, entre outros. Escolha o equipamento, aproveite cada ângulo, extraia o melhor de cada registro fotográfico e não perca clique algum.
 

Agradecimento
Ao Prof. Dr. Alex Luiz Pozzobon Pereira, cujo conhecimento de longa data sobre fotografia em Ortodontia tem me auxiliado na melhoria dos registros fotográficos dos meus casos clínicos.


Referências
1. Masioli M et al. Fotografia Odontológica (2a ed.). Porto Alegre: Artmed, 2010.
2. Martins RFM, Costa LA, Bringel ACC, Pereira ALP. Protocolo de fotografia digital em Ortodontia. Rev Clin Ortod Dental Press 2013;12(4):102-11.
3. Pereira ALP, Galvao LCC, Marques JAM. Fotografia em investigações de mordidas. In: Jeidson AMM, Galvão LCC, Silva M et al. Marcas de mordidas (1a ed.). Feira de Santana, 2007.
4. Blair JP, Stuckey SS, Vesilind P. Novo Guia de Fotografia National Geographic. Tradução: Camila Werner. São Paulo: Ed. Abril, 2011.
5. Hurter B. A luz perfeita: Guia de iluminação para fotógrafos (3a ed.). Tradução: Tim Martin Stocher. Balneário Camboriú: Photos, 2010.

 

Júlio Gurgel

Doutor em Ortodontia pela FOB-USP; Professor do programa de mestrado acadêmico em Odontologia (Ortodontia) da UniCeuma, em São Luís/MA; Professor assistente doutor do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, campus de Marília; Coordenador do curso de especialização em Ortodontia da PUCMM, em Santiago de los Caballeros (República Dominicana).

 
 
 


Alex Luiz Pozzobon Pereira

Professor associado I do Depto. de Odontologia II e professor do programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) em Odontologia – Universidade Federal do Maranhão (UFMA).