Publicado em: 17/10/2018 às 21h25

Bichectomia: o tecido adiposo na região facial é mocinho ou vilão?

Descobertas recentes mostram que a bola de Bichat contém células-tronco mesenquimais.

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Todos nós, gostemos ou não, temos uma quantidade de gordura em nosso organismo. Dentre outros fatores, sabe-se que o tecido adiposo tem relevância na modelagem da superfície do corpo, na ajuda do isolamento térmico do organismo e, especialmente, a importante função de servir como depósito de energia. No entanto, o tecido adiposo é indesejável em excesso. Nesta condição, ele pode gerar a obesidade e todos os inconvenientes sistêmicos e estéticos desta patologia. Mas, e a presença do tecido adiposo na região facial? Qual a sua relevância? Devemos removê-lo com finalidade estética? Em outras palavras: podemos realizar procedimentos de bichectomia sem “peso na consciência”?

A bichectomia envolve a remoção cirúrgica da bola gordurosa de Bichat. Essa estrutura funciona como um amortecedor de músculos faciais que, entre outras funções, são ativos na mastigação. Se, com o passar dos anos, a remoção dessa estrutura irá promover um desgaste na região é motivo de muita controvérsia. O que é consensual, porém, é que a remoção da bola de Bichat em indivíduos que não apresentem rosto realmente ovalado pode antecipar o envelhecimento da face já que, naturalmente, com o passar do tempo, perdemos um pouco de tecido gorduroso na região. Soma-se a isso o fato dessa estrutura ser utilizada eventualmente para cirurgias de reconstrução da face (em casos de acidentes ou câncer), assim como para fechamento de comunicações bucosinusais.

No entanto, descobertas recentes vêm colocando mais tempero nesta discussão: a bola de Bichat contém células-tronco mesenquimais. As figuras de 1 a 4 ilustram uma pesquisa brasileira que evidenciou a presença dessas células indiferenciadas nessa estrutura gordurosa, as quais podem dar origem a diferentes tecidos, tais como o osso e cartilagem. Então, agora a decisão é sua: removê-la ou não? Eis a questão.
 

Figura 1 – Remoção de bola de Bichat durante procedimento de cirurgia ortognática. (Fonte: Pelegrine AP, Aloise AC, da Costa CES. Células-Tronco em Implantodontia. 2013; editora Napoleão.)

 

Figura 2 – Tecido da bola de Bichat sendo submetido à agitação e digestão enzimática. (Fonte: Pelegrine AP, Aloise AC, da Costa CES. Células-Tronco em Implantodontia. 2013; editora Napoleão.)

 

Figura 3 – Deposição da fração vascular estromal (fundo do tubo), onde estão presentes as células-tronco mesenquimais. (Fonte: Pelegrine AP, Aloise AC, da Costa CES. Células-Tronco em Implantodontia. 2013; editora Napoleão.)

 

Figura 4 – Células-tronco mesenquimais adultas provenientes da bola de Bichat após 15 dias de cultura. (Fonte: Pelegrine AP, Aloise AC, da Costa CES. Células-Tronco em Implantodontia. 2013; editora Napoleão.)

 

 

André Antonio Pelegrine

Especialista em Periodontia; Mestre em Implantodontia; Doutor em Clínica Médica; Pós-doutorado em Cirurgia Translacional; Professor Titular de Implantodontia - Faculdade São Leopoldo Mandic, Campinas, Brasil; Visiting Assistant Project Scientist - University of California, Los Angeles, USA. 

 

 

 

 

 

 

Antonio Carlos Aloise

Especialista em Implantodontia e Prótese Dental; Mestre em Implantodontia; Doutor em Ciências; Pós-doutorado em Cirurgia Translacional; Professor da EPPIC- Campinas; Professor Afiliado da Disciplina de Cirurgia Plástica EPM-UNIFESP; Coordenador do Curso de Mestrado em Ciências, Tecnologia e Gestão Aplicadas a Regeneração Tecidual- UNIFESP.

 

 


 

 


 

 

Antonio Augusto Campanha

Mestre e Especialista em Clínica Odontológica na Área de Concentração em Cirurgia Buco-Maxilo-Facial pela Unimar (Universidade de Marília); Especialista e Implantodontia pela ABO (Associação Brasileira de Odontologia) de Pouso Alegre-MG.