Publicado em: 06/12/2018 às 09h16

Precificação, estoque e mídia

Flavio Falcão Bauer traz informações relevantes sobre o gerenciamento de produtos.

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A precificação dos serviços está relacionada ao custo do profissional. (Imagem: Shutterstock)

 

No Brasil, as mudanças ocorrem de forma rápida, principalmente em anos eleitorais. Por isso, ter estoque no consultório é sempre um risco, sobretudo quando se trata de materiais que possuem prazo de validade. No entanto, ultimamente, por ineficiência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na liberação dos produtos que ficam retidos por períodos longos, quando não temos estoque podemos sofrer com o desabastecimento de insumos.

Sob o aspecto financeiro, manter estoque seria sempre um mau negócio, pois o dinheiro fica empatado e não rende. Por outro lado, com a recente alta do dólar, o estoque de materiais não perecíveis pode trazer uma remuneração melhor do que as aplicações financeiras convencionais. Outro aspecto relevante em relação ao armazenamento de grandes quantidades de produtos: para quem usa livro-caixa, em um mês excepcional de entrada de dinheiro, pode ser interessante a compra de materiais para equilibrar o imposto de renda.

Vale lembrar que a precificação dos serviços está relacionada ao custo do profissional, no qual os principais itens são referentes à instalação do consultório, como condomínio, manutenção, aluguel, mão de obra, energia elétrica, água, entre outros. A soma de todos esses valores deverá ser dividida pelo número de horas que o profissional se dispõe a trabalhar. Exemplificando: uma clínica que gaste R$ 16 mil por mês e o profissional se propõe a trabalhar 160 horas mensais custa R$ 100 a hora para o dentista – ele trabalhando ou não.

Mas, além desses gastos com a estrutura da clínica, há também aqueles específicos do serviço a ser realizado. Um tratamento com custo de material de R$ 500 e que demandará três horas de trabalho onera o profissional em R$ 800. Sendo assim, o dentista deverá acrescentar aos R$ 800 o valor que ele quer ganhar por hora trabalhada e o imposto que pagará, ficando, assim, com um valor líquido.

É importante considerar se o custo, o material e o valor a receber são compatíveis com o nível dos pacientes atendidos. Outro fator que passou a ser relevante é o custo da mídia envolvida para divulgar o profissional e a clínica. Hoje, há uma alta exposição na mídia on-line, que normalmente tem um baixo custo de divulgação. Porém, os profissionais se veem formando um combo daquilo que pretendem divulgar e, dentro deste pacote, deverão estar os custos que implicam essa exposição à mídia, como o clube do qual são sócios, a academia que frequentam, os restaurantes, as viagens, as festas, os hobbies etc. – ou então corre-se o risco de falir antes de ficar rico. Somada a tudo isso, a qualidade técnica dos serviços divulgados tem que ser compatível com o que é vendido na mídia.

 

 

Flavio Falcão Bauer

Graduação e mestrado pela Universidade de São Paulo (Fousp).