Publicado em: 06/12/2018 às 09h41

Orto 2018-SPO ressalta a qualidade made in Brazil

Os nove cursos de imersão integrados estiveram entre as atividades mais disputadas.

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Marcos Janson foi um dos destaques da programação do Orto 2018-SPO. (Fotos: Panóptica Multimídia)

 

Por Flavius Deliberalli
e Renata Putinatti


Com acesso livre a todos os congressistas, os nove cursos de imersão integrados estiveram entre as atividades mais disputadas. Cada tema foi debatido por um trio de ministradores brasileiros, ou seja, no total 27 grandes nomes da Ortodontia nacional subiram ao palco para dividir suas visões e experiências sobre as mais diversas situações clínicas. A seguir, confira os pontos mais relevantes de cada apresentação.
 

Uma visão contemporânea sobre a classe II

Esse foi o curso de imersão com maior público dentre as atividades nacionais e internacionais e, com certeza, foi um dos grandes momentos do Orto 2018-SPO. Primeiro a se apresentar, Marcos Janson mostrou-se preciso e muito objetivo, ressaltando que a classe II de Angle, presente na maioria dos pacientes no dia a dia da clínica, pode ser resolvida sem complicações. Logo depois, subiu ao palco Alexandre Moro que, oportunamente, desmistificou os propulsores mandibulares, demonstrando com detalhes o propulsor Power Scope, utilizado para portadores de retrusão mandibular. Por fim, Luiz Gandini Jr. falou sobre o emprego de técnicas tradicionais em Ortodontia associadas às contemporâneas, exemplificando com o uso de miniparafusos como ancoragem esquelética na resolução de casos de classe II em adultos.
 

Soluções para casos complexos

Daniela Garib iniciou com brilhantismo esse curso integrado e revelou o que é possível fazer em tratamento ortodôntico na fase da dentadura mista, quando há caninos inclusos perigosamente localizados e fora de sua trajetória normal – e, consequentemente, os cuidados na movimentação de outros dentes anteriores. A apresentação de casos clínicos foi muito bem documentada e elucidativa. Dando continuidade, Flavio Cotrim-Ferreira abordou o controle tridimensional em casos desafiadores. Em uma apresentação perfeita, ele destacou o que fazer em casos de agenesias, principalmente de incisivos laterais superiores, assimetrias, dentre outras situações. Colocando em pauta a dúvida: nesses casos de agenesias, deve-se manter ou abrir o espaço para um futuro implante, ou ainda fechar o espaço mesializando o canino e transformando-o em lateral? O tema, tão controverso, foi apresentado de maneira inteligível e com ajuda de casos clínicos muito bem solucionados. Para concluir, David Normando focou no manejo ortodôntico de casos complexos, discutindo e mostrando os melhores caminhos e soluções para realizar tratamentos ortodônticos em casos de anomalias e perdas dentárias.
 

Técnicas estéticas para movimento dentário

Alexander Macedo discutiu a tecnologia 3D no planejamento e confecção de aparelhos ortodônticos. Para garantir a excelência na estética, conforto e previsibilidade no tratamento, sem abrir mão da função adequada, o segredo, segundo ele, está em aliar-se à tecnologia, tanto na escolha do sistema ortodôntico como no planejamento virtual. Com o escaneamento intrabucal dos arcos, é possível ter uma visão tridimensional das arcadas e customizar os aparelhos e, com isso, aumenta-se a precisão e reprodutibilidade, com excelência biomecânica. Ele ainda salientou que outra vantagem da customização dos aparelhos é a oportunidade de delegar à equipe os procedimentos mais básicos, proporcionando ao profissional mais tempo para se dedicar ao planejamento e estudo dos casos.

Na sequência, Andreia Cotrim-Ferreira discorreu sobre os problemas que mais acometem adultos que buscam tratamento ortodôntico, como desvios de linha média, disfunções de articulação temporomandibular e problemas sistêmicos, além dos verticais, transversais e anteroposteriores. Como o paciente adulto normalmente tem resistência ao uso de braquetes tradicionais, ela exemplificou, com exposição de casos clínicos, como tratar situações complexas com alinhadores e sistemas de braquetes linguais, compartilhando várias dicas clínicas para a equalização de espaços, utilização de elásticos assimétricos, tratamento em fases e o uso do scanner intrabucal no planejamento e nas fases de reavaliação.

Finalizando, Dauro Oliveira enfatizou que o conceito de eficiência clínica pode ser traduzido por um tratamento de alta qualidade em menor tempo possível, o que é fundamental para o paciente adulto. Por isso, grandes empresas têm investido no desenvolvimento de dispositivos aceleradores, que na maioria das vezes são intrabucais vibratórios. Ele afirmou que as micro-osteoperfurações ainda não apresentaram evidência suficiente na literatura para serem indicadas. Já as corticotomias são as melhores técnicas para a aceleração do tratamento e solução de casos como correção de deiscências ósseas, classe III por deficiência de maxila, entre outros.
 

O desafio dos problemas ortodônticos verticais

Conduzida por Fabrício Valarelli, Guilherme Janson e Endrigo Bastos, a temática sobre o tratamento da mordida aberta anterior em indivíduos adultos representa um grande desafio para a Ortodontia. O uso de mini-implantes para a intrusão de molares apresentou melhoras significantes no padrão vertical do paciente adulto, como a intrusão verdadeira dos molares, redução da altura dentoalveolar posterior, rotação anti-horário da mandíbula, redução da Afai e do FMA, projeção do pogônio e convexidade facial, favorecendo o selamento labial. Já o uso de grades e esporões, eliminação de hábitos e estratégia de compensação, tanto na dentadura decídua quanto na mista, possuem boa eficácia no tratamento da mordida aberta. Dentre os procedimentos mencionados para aumentar a eficiência do tratamento e a estabilidade, estão: posicionamento diferenciado dos braquetes anteriores – para permitir a sobrecorreção; acessórios dos dentes posteriores com angulação mesial; uso concomitante de grade palatina ou esporões linguais durante o tratamento; contenção ativa; tratamento miofuncional; e associação dos procedimentos. O tratamento ortodôntico-cirúrgico na dentadura permanente é indicado quando o problema esquelético severo não é suscetível somente ao tratamento ortodôntico. Mesmo assim, a cirurgia ortognática tem apresentado resultados de grande importância para a Ortodontia moderna.

Abordagem multidisciplinar em Ortodontia

Durante o curso de imersão sobre a necessidade de integração entre as especialidades odontológicas para o tratamento do paciente, Jorge Faber, Ana Carla Nahás Scocate e Adilson Ramos discorreram brilhantemente sobre o tema. Eles apresentaram casos extremamente difíceis e complexos, embasados na literatura atual e com evidências clínicas e científicas. Mostraram também casos com finalizações estáveis, equilibrados e com estética bastante agradável. Aplicações inovadoras, com tratamentos interdisciplinares, levaram a resultados pré-estabelecidos com planos de tratamento discutidos previamente por equipes competentes na área. Vimos, então, o sucesso das equipes reabilitadoras, que devem trabalhar com os mesmos objetivos, visando sempre o bem-estar dos pacientes. Foi um curso com alto nível de informações e resultados.
 

Ancoragem esquelética com mini-implantes

A nova era da ancoragem esquelética foi a abordagem do curso de imersão ministrado por Carlo Marassi, Júlio Gurgel e Marcio Almeida. Eles mostraram uma nova visão da ancoragem esquelética que permite incorporar novos tratamentos, anteriormente considerados impossíveis para a Ortodontia tradicional. Foram apresentadas novas formas de ancoragem e suas aplicações clínicas, além da utilização de mini-implantes ortodônticos para o tratamento da relação anteroposterior. A Expansão Maxilar Ancorada em Mini-implante (Marpe) foi uma proposta discutida para a expansão maxilar, bem como os conceitos de diagnóstico, a técnica de inserção dos mini-implantes, as modalidades de aparelhos expansores e suas indicações e os protocolos de ativação e seus resultados. A biomecânica aliada à instalação dos mini-implantes inseridos em crista infrazigomática e buccal shelf foi explicada em detalhes para o tratamento de problemas complexos, como classe I com biprotrusão, classe II, classe III, mordida aberta anterior, sorriso gengival, assimetrias de plano oclusal e desvios de linha média.
 

Ortodontia versus paciente adulto

Iniciando o curso, José Fernando Castanha Henriques apresentou casos clínicos realizados há bastante tempo, com muitos anos de pós-contenções, agregando uma explicação com extrema clareza sobre os pontos importantes para o ótimo resultado. Posteriormente, Laurindo Furquim também mostrou casos clínicos interessantes com considerável complexidade, nos quais usou recursos da época – no entanto, ressaltou que os recursos existentes atualmente facilitariam as mecânicas ortodônticas. Para finalizar, Leopoldino Capelozza Filho focou no diagnóstico e tratamento individualizados, trazendo referências de trabalhos de importantes autores e levando os congressistas para um passeio pela revisão da literatura. Ainda, apresentou casos tratados que revelaram a importância da precisão no diagnóstico e no plano de tratamento.
 

Estética facial e do sorriso

Buscando previsibilidade, simplicidade e conforto para a satisfação do paciente, Carlos Alexandre Câmara propôs a análise de três importantes elementos para a estética do sorriso, levando-se em consideração os arquétipos faciais. São eles: o “z” do terço inferior da face; a inclinação dos incisivos superiores; e o plano oclusal estético funcional (Poef), que trarão uma visão diferenciada das possibilidades de um tratamento ortodôntico que busque a melhor relação entre estética, oclusão e função dentofacial.

Marcelo Calamita ressaltou a importância do planejamento após anamnese, com avaliação dinâmica da estética e da função, exames complementares, plano de tratamento interdisciplinar (baseado em evidências clínicas confiáveis), escolha individualizada de materiais e execução de técnicas pertinentes. Conhecendo o paciente, seu comportamento, suas necessidades, seus desejos, suas expectativas e sua condição socioeconômica, torna-se mais seguro o plano de tratamento, levando-se em conta também o diagnóstico funcional que avaliará se a condição é fisiológica ou patológica.

Priscilla Pereira concentrou-se em técnicas para a harmonização facial do sorriso gengival usando toxina botulínica. Dentre os vários tratamentos, ela destacou a gengivectomia ou gengivoplastia, a cirurgia de reposicionamento labial e a aplicação de toxina botulínica tipo A – sempre lembrando que é importante conhecer a anatomia e a área de atuação odontológica.
 

Braquetes autoligáveis

Weber Ursi falou sobre a efetividade no manejo do tratamento ortodôntico, com foco no bom relacionamento com o paciente, além de destacar a necessidade de construir uma curva de aprendizado na Ortodontia para atingir a excelência nos tratamentos. Ele ressaltou a necessidade de flexibilizar o uso dos braquetes autoligados passivos para facilitar e obter qualidade na finalização dos casos. Além disso, colocou em evidência a tendência de colagem indireta nos sistemas autoligados, devido aos recursos digitais disponíveis atualmente.

Marcelo Martins discutiu os dogmas e paradigmas dos aparelhos autoligados, como a expansão das arcadas dentárias. Nesse sentido, demonstrou que o controle do tratamento depende do ortodontista para detectar se a expansão é benéfica ou não para cada caso, ressaltando a importância do bom diagnóstico e do plano de tratamento – bases que não se alteram, independentemente do tipo de sistema de braquete utilizado. Ele relembrou características e diferenças dos braquetes autoligados e convencionais, e definiu os braquetes passivos e interativos.

Reginaldo Zanelato iniciou recordando sobre o desenvolvimento e a evolução dos braquetes ortodônticos, além da variedade dos sistemas de fixação do arco. Discutiu as vantagens e desvantagens dos sistemas autoligados, ressaltando que a escolha do método será de acordo com as necessidades de cada caso e estágio do tratamento. Também trouxe uma visão científica dos benefícios das técnicas para obter sucesso e destacou a importância do ortodontista, que fará toda a diferença quanto ao conhecimento e prática em todos os tratamentos.

 

Agradecimento aos coordenadores Laura Cotrim, Aparecida Izildinha Paganotti Mazzo Garcia, Eliana Niculau, Ana Cristina Gonçalves Vieira, Vanda Domingos, Luciana Flaquer, Gennaro Napolitano, Celso de Camargo Barros e Emme H. Gumieiro, pela colaboração na elaboração deste conteúdo.