Publicado em: 06/12/2018 às 09h45

Cursos de imersão internacionais fizeram sucesso no Orto 2018-SPO

Conhecimento sem fronteiras: atividades com professores internacionais foram as mais aguardadas da programação do encontro.

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Cursos de imersão internacionais tiveram grande procura. (Fotos: Panóptica Multimídia)

 

Por Flavius Deliberalli
e Renata Putinatti

 

Com abordagens aprofundadas e diversificadas, os cursos de imersão internacionais foram as atividades mais aguardadas da programação do Orto 2018-SPO. Vindos dos Estados Unidos, Alemanha, Colômbia, Espanha, Israel e Canadá, os nove ministradores compartilharam experiências clínicas e pesquisas, promovendo um verdadeiro intercâmbio de informações com os congressistas.

Dentre os nomes mais esperados desta edição estava o professor Won Moon (Estados Unidos), que falou sobre correções ortopédicas não cirúrgicas com microimplantes e que alcançou o maior público nas aulas internacionais. Também estiveram entre os mais disputados pelos congressistas o norte-americano Peter Buschang e o espanhol Iván Malagón, que abordaram, respectivamente, intrusão de molares com mini-implantes e tratamentos com alinhadores transparentes.

Veja os principais pontos de destaque de cada curso de imersão internacional.

 

Tratamentos de dentes impactados e inclusos

Stella Chaushu (Israel) chamou a atenção para a importância do diagnóstico precoce, principalmente quando o assunto é impacção de caninos. A participação do odontopediatra na identificação do problema nas fases mais precoces do desenvolvimento dentário leva ao sucesso do tratamento, com a obtenção de espaço no arco para os dentes impactados e posicionamento no arco sem danos aos dentes adjacentes. A principal consequência da atuação tardia, já na fase do segundo período transitório da dentadura mista ou mesmo na dentição permanente completa, com caninos impactados, foi a reabsorção radicular severa dos incisivos, muitas vezes necessitando de extração. A professora citou a impacção como um dos fatores impedidores do tracionamento, no entanto, não está presente em todos os casos, e que a dificuldade em realizar a movimentação do canino pode estar relacionada à biomecânica correta. Ela demonstrou que o planejamento do movimento deve sempre ser baseado na posição da raiz do canino e a coroa deverá ser levada em sua direção, sendo assim, comumente a coroa deverá ser tracionada e distalizada simultaneamente. Outra abordagem importante foi a necessidade do diagnóstico pautado na imagem tridimensional, conseguida pela tomografia que permite a visualização precisa da posição do dente impactado, portanto, nesses casos, as radiografias não devem ser os exames de eleição para definição do planejamento.
 

Correções ortopédicas não cirúrgicas com microimplantes

Por meio de inúmeros casos clínicos e pesquisas, Won Moon (Estados Unidos) discutiu as correções ortopédicas em pacientes em crescimento, bem como pacientes adultos utilizando os microimplantes como recursos de ancoragem. Ele mostrou correções ortopédicas no sentido sagital, sendo avanço mandibular com microimplantes no indivíduo classe II esquelética. Enquanto para os indivíduos classe III esquelética, indica protração da maxila com uso de aparelho expansor apoiado em microimplantes que ele mesmo desenvolveu – denominado MSE (Maxillary Skeletal Expander) – associado à máscara facial. Além disso, o professor abordou casos de tratamentos compensatórios – com resultados que se assemelham à cirurgia ortognática – da mordida aberta e mordida profunda esqueléticas tratadas com microimplantes, bem como suas limitações e constatações clínicas que redefinem os conceitos tradicionais da Ortodontia. Por fim, o palestrante apresentou o aparelho MSE como alternativa inovadora não cirúrgica para tratamento das atresias maxilares em pacientes adultos, mostrando seus efeitos esqueléticos, especialmente no terço médio da face, bem como diversas pesquisas realizadas na Universidade da Califórnia (em Los Angeles, Estados Unidos).
 

Gerenciamento da classe II

Carlos Flores-Mir (Canadá) realizou uma interessante abordagem clínica e científica sobre o tratamento da má-oclusão de classe II. Os resultados clínicos e cefalométricos obtidos nos casos foram correlacionados com vários artigos científicos publicados sobre o assunto. Os achados científicos foram minuciosamente selecionados, incluindo principalmente revisões sistemáticas e metanálises. Pormenorizando os dados da literatura e os resultados obtidos em seus casos clínicos, Flores-Mir pôde demonstrar o que considera real e possível de obter com o uso de propulsores mandibulares para a correção da má-oclusão de classe II.
 

Tratamento de classe II

O conhecimento científico está crescendo nos últimos anos e os tratamentos não são mais baseados somente na experiência clínica profissional. Sabine Ruf (Alemanha) apresentou de forma clara o que a literatura atual conhece sobre o tratamento da classe II divisão 1. Dividindo seu conteúdo nos tópicos: o que, por que, quando e como tratar a má-oclusão de classe II: 1, a professora mostrou pontos relevantes, como a importância para a melhora da qualidade de vida do paciente em curto prazo e da qualidade da saúde bucal e satisfação pessoal em longo prazo. O tratamento precoce/tardio ou em uma/duas etapas também foram amplamente discutidos e evidenciados. Diversos tipos de protocolos, com estudos bem desenhados, foram expostos. Por fim, algumas mensagens ficaram explícitas: a severidade da má-oclusão de classe II: 1 é o principal elemento para o prognóstico do tratamento; o maior inimigo é não ter trespasse horizontal suficiente para a correção anteroposterior; e o importante é individualizar o tratamento para cada paciente.
 

Análise das vias aéreas superiores por meio de imagens

A aula de Martin Palomo (Estados Unidos) abordou aspectos muito importantes relacionados à Odontologia do Sono. Primeiramente, ele falou de uma série de fatores de risco para o ronco e a apneia e suas implicações para a saúde geral dos pacientes. A análise de vias aéreas superiores foi ricamente estudada e ilustrada com imagens tridimensionais obtidas através de tomografias de feixe cônico e tratamento com diversos softwares de análise destas imagens. Muitos trabalhos científicos de alta qualidade e nível de evidência, quase todos conduzidos pelo próprio Dr. Palomo e seus residentes da Case Western Reserve University (em Cleveland, Ohio, Estados Unidos) e publicados em jornais de grande fator de impacto, foram apresentados para esclarecer os resultados positivos que os tratamentos ortodônticos podem ter na desobstrução e/ou ampliação das vias aéreas superiores. Porém, suas explanações vieram acompanhadas por diversos artigos, alguns deles com pontos de vista divergentes foram apresentados e avaliados criticamente durante a aula. Por fim, Palomo falou sobre aspectos de higiene do sono, necessidades individuais de horas de sono por faixa etária e como alguns estados americanos já estão adaptando os horários das escolas públicas para permitir a quantidade mínima essencial de sono para os jovens estudantes.
 

Correção das atresias maxilares em pacientes jovens

Andrés Giraldo (Colômbia) enfatizou o diagnóstico e tratamento das atresias maxilares utilizando tomografia computadorizada cone-beam para planejamento e acompanhamento, além da ancoragem por meio de mini-implantes. Sua apresentação foi enriquecida pelo acesso a artigos sobre o tema por meio de QR Codes. As leituras sugeridas foram: Vanarsdall Jr. RL. Transverse dimension and long-term stability. Semin Orthod 1999;5:171-80; Angelieri F, Cevidanes LH, Franchi L, Gonçalves JR, Benavides E, McNamara Jr. JA. Midpalatal suture maturation: classification method for individual assessment before rapid maxillary expansion. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2013;144(5):759-69; Lee HK, Bayome M, Ahn CS, Kim SH, Kim KB, Mo SS et al. Stress distribution and displacement by different bone-borne palatal expanders with micro-implants: a three-dimensional finite-element analysis. Eur J Orthod 2014;36(5):531-40.
 

Intrusão de molares com mini-implantes e aceleração do tratamento

A apresentação de Peter Buschang (Estados Unidos) foi dividida em duas partes: os desafios de tratar pacientes classe II divisão 1 com fenótipo hiperdivergente; e as possibilidades de acelerar a movimentação ortodôntica. Dessa forma, o professor concluiu que os ortodontistas, ao tratarem classe II divisão 1 com fenótipo hiperdivergente, precisam controlar a dimensão vertical posterior, objetivando a rotação mandibular anterior. Em relação à aceleração ortodôntica, para ele, os aparelhos disponíveis no mercado, como Propel e Acceledent, não são eficazes. No Baylor College of Dentistry (em Dallas, Texas, Estados Unidos) há estudos em andamento que sugerem que o trauma biológico para permitir essa aceleração não deve ser leve, mas sim pesado. Traumas leves, como os propostos pelos aparelhos Propel e Acceledent, têm efeito contrário, densificando o osso alveolar medular e potencialmente dificultando a movimentação ortodôntica.
 

Resolução de casos usando alinhadores transparentes

Iván Malagón (Espanha) é um experiente profissional adepto aos alinhadores para tratamentos ortodônticos. O foco dele foi desmitificar a utilização de alinhadores em casos complexos, com o uso do sistema Invisalign. Com uma apresentação 100% clínica, ele detalhou os tratamentos de correção transversal, mordida aberta anterior, extração dentária e mordida profunda. Com um protocolo próprio, mostrou que o planejamento virtual com o software ClinCheck pode ser a referência para um resultado clínico de excelência. Em conclusão, além de ser uma apresentação dinâmica, com um professor cheio de energia, foi possível evidenciar que o tratamento de casos complexos e as finalizações de qualidade podem ser conseguidos com o uso de alinhadores.
 

Correção da má-oclusão de classe II com aparelhos autoligados

Graham Jones (Estados Unidos) mostrou várias formas de corrigir a classe II de maneira prática e fácil, baseadas em referências bibliográficas e casos respaldados em evidências e prática clínica. Ele elucidou alguns conceitos importantes de aparelho extrabucal e crescimento mandibular, além de dar bastante ênfase aos propulsores mandibulares, aparelhos autoligados pelo controle de rotação dos dentes e alguns procedimentos clínicos para auxiliar o tratamento. Também falou da importância do bom relacionamento interdisciplinar para atender as expectativas e para o melhor tratamento do caso, bem como ampliar o conhecimento das várias especialidades odontológicas. Uma verdadeira aula de como atender e trabalhar com excelência.

 

Agradecimento aos coordenadores Julio Gurgel, Alessandra Streva, Moacyr Trevisan, Marinho Del Santo, José Alexandre Kozel, Camila Quaglio, Selly Suzuki, Mauricio Casa e Karyna Valle-Corotti, pela colaboração na elaboração deste conteúdo.