Publicado em: 06/12/2018 às 10h45

Ondas

Em seu editorial, Flavio Cotrim-Ferreira destaca duas certezas quanto ao futuro da Ortodontia brasileira.

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Participar ativamente das últimas 16 edições do Congresso Brasileiro de Ortodontia – Orto-SPO e colocar em perspectiva a tendência predominante de cada evento, no tocante à técnica ortodôntica, traz uma interessante visão de ondas que se seguem de tempos em tempos.

A unanimidade do ensino e prática da técnica de Edgewise, vigente no Brasil entre os anos 1970 e início dos anos 1980, foi substituída gradualmente pela simplicidade do Straight-Wire Appliance, criado por Lawrence Andrews. Ao mesmo tempo, os sofisticados conceitos biomecânicos, divulgados entre os ortodontistas pelos professores Charles Burstone e Robert Ricketts, aprimoraram a nossa prática e reduziram os danos biológicos gerados pelo tratamento.

A onda seguinte que atingiu nosso país nos anos 1990 colocou em evidência o uso de aparelhos ortopédicos funcionais nos pacientes jovens, e os braquetes estéticos nos pacientes adultos. A hegemonia do fio de aço inoxidável foi gradualmente substituída por ligas de NiTi ou TMA.

Com o novo milênio chegaram os braquetes autoligados, que propunham reduzir o desconforto e minimizar o tempo do tratamento corretivo. Os passos iniciais da Ortodontia Lingual brasileira e as primeiras apresentações acerca do uso de mini-implantes ortodônticos também iniciaram nesta época.

A última década popularizou a customização dos aparelhos ortodônticos, seja por meio de braquetes construídos sob medida, seja com alinhadores transparentes, que se tornaram mais eficientes e aceitos pelos colegas.

Este breve histórico mostra a diversidade de conceitos, técnicas e acessórios que “lideraram” alguns períodos da Ortodontia brasileira e revelam, em minha opinião, duas certezas. A primeira é que a nossa dinâmica especialidade continuará evoluindo ao longo do tempo, o que exige de todos nós uma mente aberta e disposta para aprender novos conceitos. A segunda constatação é que os conhecimentos básicos de Anatomia, Histologia, Fisiologia, Bioquímica e Genética, que sofrem menos influência comercial e possuem conceitos menos voláteis, fazem parte da cultura necessária ao ortodontista que deseja realizar o máximo por seus pacientes.

 

 

Flavio Cotrim-Ferreira

Editor científico