Publicado em: 17/06/2019 às 10h11

Setenta anos de Ortodontia

Flavio Falcão Bauer relembra os passos iniciais para a Ortodontia chegar ao seu patamar atual.

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(Imagem: Shutterstock)

 

Na década de 1950 começam a chegar ao País os ortodontistas que fizeram pós-graduação nos Estados Unidos. Nesta época, a prática era totalmente ou em grande parte artesanal. Para se ter uma ideia, a montagem de um aparelho consumia mais de 20 horas clínicas e só eram tratados pacientes com casos graves. O custo era altíssimo para o paciente e extremamente trabalhoso para o profissional.

No início da década de 1960, novos profissionais brasileiros foram estudar fora e, ao retornarem ao Brasil, trouxeram novas técnicas e a Ortopedia começou a fazer parte dos tratamentos oferecidos.

A evolução foi grande entre 1965 e o início da década de 1970, período em que havia mais pacientes do que profissionais e os cursos de Ortodontia começaram a se propagar pelo estado de São Paulo. Foi uma época de ouro. Embora existissem problemas com a importação de materiais, de diagnóstico radiológico e na formação de auxiliares, além da Ortodontia ser artesanal, os profissionais – assim como em todas as especialidades da Odontologia – eram muito bem remunerados nas capitais e no interior. A saúde econômica dos cirurgiões-dentistas chamava tanto a atenção que várias faculdades de Odontologia foram abertas.

As clínicas passaram a funcionar com várias cadeiras e os aparelhos de raio X para fazer panorâmicas começaram a ser importados. Desse modo, as clínicas foram se modernizando. Também começaram a ser oferecidas as especializações e mestrados nas instituições de ensino particulares e públicas, e as filas de candidatos às vagas eram imensas. Cursos como o do professor Sebastião Interlandi, ministrados em sua fazenda duas vezes por ano, com a imersão dos alunos durante 15 dias, tinham filas de espera de dois anos.

Os profissionais eram obrigados a manter um vasto estoque, pois as importações eram inconstantes. Nesta época, grandes nomes dos Estados Unidos, como James Mcnamara e Robert Murray Ricketts, influenciaram a Ortodontia no Brasil. Já os profissionais que atuavam em Ortopedia traziam know-how da Alemanha e da Espanha. Esse período foi um marco também para a indústria ortodôntica nacional que florescia. Esses foram os passos iniciais para chegarmos ao patamar atual.

 

 

Flavio Falcão Bauer

Graduação e mestrado pela Fousp.