Publicado em: 17/06/2019 às 10h30

O essencial sobre os tipos de Marpe

Júlio Gurgel detalha as características dos três modelos mais utilizados na atualidade no Brasil.

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A denominação Marpe se refere a um específico expansor maxilar osseossuportado idealizado na Universidade de Yonsei1, na Coreia do Sul. Atualmente, esta denominação tornou-se abrangente e representa vários modelos de expansores maxilares osseossuportados. Embora compartilhem da mesma finalidade, eles apresentam distintas características, que devem ser compreendidas em detalhes para o uso clínico e a obtenção dos resultados esperados2. Para o entendimento básico do Marpe, serão descritas a seguir as características dos três modelos mais utilizados na atualidade no Brasil.
 

Disjuntor Hyrax modificado para Marpe (DHMM)

Este modelo foi pioneiro a ser proposto para o uso em adultos jovens e adultos como opção para a expansão maxilar1. Trata-se de um disjuntor maxilar do modelo Hyrax, no qual são soldadas extensões de fio de aço 0,9 mm (Figura 1). Nas extremidades das extensões há retenções em forma de gota para adaptação dos mini-implantes instalados no palato. As hastes do disjuntor Hyrax são soldadas em bandas de molares e pré-molares, enquanto as retenções em gota são dispostas em áreas específicas no palato. As retenções em gota anteriores são posicionadas na altura da terceira ruga palatina, enquanto as posteriores são posicionadas na área parassagital na altura dos molares.

Este disjuntor é confeccionado em laboratório e deve ser provado previamente para melhor adaptação no palato das extensões e retenções em gota. Após a prova do DHMM, realiza-se a cimentação do aparelho e posterior instalação dos mini-implantes. Após uma semana da instalação, inicia-se a ativação do parafuso expansor com 2/4 de volta ou uma volta completa por dia2.
 

Figura 1 – Disjuntor Hyrax modificado para Marpe (DHMM) proposto por Lee et al1. Disjuntor Hyrax (Morelli, Sorocaba, Brasil).


 

Maxillary skeletal expander (MSE)

Desenhado por Moon e colegas da Universidade da Califórnia (em Los Angeles, Estados Unidos), o MSE é um disjuntor com encaixe para quatro mini-implantes e possui também quatro hastes que são soldadas nas bandas dos primeiros molares3 (Figura 2). Atualmente, o MSE é comercializado nos modelos MSE I e MSE II, tendo como particularidades o uso de mini-implantes com comprimento suficiente para obter a ancoragem bicortical. Como ancoragem bicortical para o Marpe, entende-se o fato dos mini-implantes serem inseridos em toda a extensão do volume ósseo da maxila, desde a cortical da abóbada palatina até a cortical do assoalho da fossa nasal. A bicorticalidade visa aumentar a estabilidade, diminuir a fratura e reduzir a ocorrência de deformidade dos mini-implantes4. A proposta dos idealizadores do MSE é proporcionar melhor distribuição da força de ativação pela área do palato, tendo como resultado maior abertura paralela da sutura palatina mediada. Também, estes autores propagam a vantajosa abertura paralela desta mesma sutura5. As ativações diárias variam de acordo com o modelo do MSE e idade do paciente6.

Figura 2 – Maxillary skeletal expander (MSE – Korean Biomaterials, Seul, Coreia do Sul).


 

Disjuntor Marpe SL

Este modelo de Marpe apresenta em seu corpo duas guias na porção anterior e duas guias na porção posterior, bem como duas hastes em cada lateral que devem ser soldadas nas bandas dos primeiros molares7-8 (Figura 3). Os disjuntores podem ser encontrados nos tamanhos de 6 mm, 9 mm e 11 mm, selecionados de acordo com o grau de atresia do palato. O disjuntor deve estar em contato com a mucosa palatina de tal forma que as guias anteriores permitam a inserção dos mini-implantes na região da terceira ruga palatina. Assim como para os demais modelos de Marpe, as hastes laterais acompanham o contorno lateral do palato mantendo uma distância em torno de 2 mm da mucosa2.

As guias possuem altura de 4 mm para que os mini-implantes se encaixem preenchendo toda a ranhura e fiquem ao nível do corpo do disjuntor. A cabeça do mini-implante tem dimensões apropriadas para o encaixe justo, sendo assim, fornece uma adequada ancoragem para a distribuição de força de ativação do disjuntor. Estas guias se apresentam equidistantes na medida de 6 mm em disposição lateral. Sendo assim, os mini-implantes são posicionados a 3 mm de cada lado do disjuntor na porção anterior e posterior. De acordo com recomendações do fabricante, as ativações são realizadas em ¼ de volta de 12/12 horas até abrir o diastema interincisivo e ¼ de volta por dia até atingir a expansão desejada7.

Figura 3 – Disjuntor Marpe SL (Peclab, Belo Horizonte, Brasil).

 

 

Referências
1. Lee KJ, Park YC, Park JY, Hwang WS. Miniscrew-assisted nonsurgical palatal expansion before orthognathic surgery for a patient with severe mandibular prognathism. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2010;137(6):830-9.
2. Gurgel JA. Marpe: expandindo os limites da Ortodontia. Maringá: Dental Press, 2019. p. 256.
3. Brunetto DP, Sant’Anna EF, Machado AW, Moon W. Non-surgical treatment of transverse deficiency in adults using microimplant-assisted rapid palatal expansion (Marpe). Dental Press J Orthod 2017;22(1):110-25.
4. Brettin BT, Grosland NM, Qian F, Southard KA, Stuntz TD, Morgan TA et al. Bicortical vs monocortical orthodontic skeletal anchorage. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2008;134:625-35.
5. MacGinnis M, Chu H, Youssef G, Wu KW, Machado A, Moon W. The effects of micro-implant assisted rapid palatal expansion (Marpe) on the nasomaxillary complex – a finite element method (FEM) analysis. Prog Orthod 2014;15-52.
6. Carlson C, Sung J, McComb RW, Machado AW, Moon W. Microimplant-assisted rapid palatal expansion appliance to orthopedically correct transverse maxillary deficiency in an adult. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2016;149:716-28.
7. Expansão rápida da maxila assistida por mini-implantes – Marpe. E-book 2a ed. Peclab, 2018.
​8. Andrade T. Marpe: uma alternativa não cirúrgica para o manejo ortopédico da maxila: parte 1. Rev Clin Ortod Dental Press 2018;17(5):44-55.


 

Júlio Gurgel

Doutor em Ortodontia pela FOB-USP; Professor do programa de mestrado acadêmico em Odontologia (Ortodontia) da UniCeuma, em São Luís/MA; Professor assistente doutor do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, campus de Marília; Coordenador do curso de especialização em Ortodontia da PUCMM, em Santiago de los Caballeros (República Dominicana).