Publicado em: 22/07/2019 às 13h06

Ortodontia nos anos 1980 e 1990

Flavio Falcão Bauer conta como foi a evolução da Ortodontia no Brasil em um momento de instabilidade política.

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O cenário nas décadas de 1980 e 1990 era o seguinte: Brasil entrou em crise, a inflação explodiu e a instabilidade política reinava. A Ortodontia vivia momentos de muita dificuldade, pois as manutenções eram corroídas pela inflação, havia dificuldade de importar produtos devido às oscilações do dólar, aumentou o número de profissionais entrando nesse mercado e aconteceu uma queda da demanda, pois os pacientes sofriam com a severa baixa do poder aquisitivo. Além disso, a Receita Federal começou a confrontar as declarações do imposto de renda dos profissionais da Saúde e dos pacientes, resultando em um número enorme de multas, que prosseguiram por três anos consecutivos.

No aspecto científico, esse foi um período em que os Estados Unidos estavam passando por grande avanço, com vários professores lançando técnicas inovadoras, financiados pela indústria ortodôntica norte-americana. A técnica de bandagem nos anteriores foi extinta e as colagens apresentavam grande avanço. Já por aqui, a indústria nacional começou a ocupar os espaços advindos da dificuldade de importação e do encarecimento dos produtos em razão do câmbio alto.

Adentrando a década de 1990, surgiram os braquetes estéticos e a Ortodontia evoluiu para o tratamento de pacientes adultos, criando um novo campo de atuação. As importações se tornaram abundantes na “era Collor” e os profissionais que haviam dolarizado suas cobranças na década anterior começaram a sofrer no final do governo Itamar Franco e o começo do governo Fernando Henrique Cardoso, com o dólar caindo diariamente.

Em resumo, a Ortodontia no Brasil evoluiu a trancos e barrancos. É válido lembrar também que esse era o curso de especialização mais procurado, com uma imensa lista de candidatos para cada vaga e com um custo de cerca de mil dólares mensais.

Os congressos, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, faziam muito sucesso no final dessa década. Porém, a lucratividade das clínicas começou a apresentar queda em relação aos anos 1960 e 1970 – mas, ainda assim, estava melhor do que na década de 1980. Os fatores que causavam as perdas eram: a tributação da Receita Federal (que já era extremamente vigilante), o encarecimento dos materiais causado pela sofisticação das técnicas e os altos encargos sociais da mão de obra dos prestadores de serviços. Em contrapartida, um profissional experiente conseguia atender um número bem maior de pacientes em consequência do avanço das técnicas.

Como é possível perceber, nas décadas de 1980 e 1990, tivemos ganhos e perdas. Na coluna da próxima edição, vou falar mais sobre isso.

 

 

Flavio Falcão Bauer

Graduação e mestrado pela Fousp.