Publicado em: 04/10/2019 às 07h33

Novo aliado em tempos de Osseointegração

Marco Bianchini discute o papel da macroestrutura dos implantes para acelerar a incorporação óssea no titânio.

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Um dos maiores desafios – e também uma das maiores preocupações – dos implantodontistas é o tempo de espera necessário para obtermos a nossa tão sonhada osseointegração. O antigo dogma dos seis meses para maxila e três meses para mandíbula vem sendo perseguido ao longo das últimas décadas, na tentativa de acelerarmos esse fenômeno e diminuirmos o tempo de espera dos nossos pacientes, para que eles recebam as suas próteses sobre implantes e possam mastigar normalmente.

O advento da carga imediata conseguiu resolver este problema em uma série de situações clínicas que enfrentamos diariamente. Entretanto, os seus princípios não se aplicam em todas as situações. Assim, em muitos casos não há como não esperar algum tempo para que o implante osseointegre e possamos colocar o dente (carga) sobre ele. Isso implica no enfrentamento de mais algumas situações atípicas, que são as próteses provisórias que os pacientes têm que utilizar até que o implante esteja totalmente integrado. Estas próteses acabam sendo extremamente desconfortáveis para os pacientes, pois precisam ser reparadas com grande frequência, além de macularem os tecidos moles circunjacentes aos implantes.

Objetivando diminuir este tempo de osseointegração, algumas empresas vêm buscando modificar a macroestrutura e o tratamento de superfície dos seus implantes, a fim de que o fenômeno da incorporação óssea no titânio seja mais rápido, mais eficiente e mais duradouro. Agora, em 2019, uma empresa nacional está lançando no mercado um implante que parece estar indicando uma forte tendência para resolver este problema. Trata-se do implante Maestro, da marca Implacil de Bortoli, São Paulo – Brasil, que foi apresentado em uma recente publicação internacional da equipe do Professor Sergio Gehrke no Appl. Sci. 2019;9:3181. DOI:10.3390/app9153181, que trazemos na íntegra aqui para acesso de todos.

A essência deste artigo foi o desenvolvimento de um novo projeto de implante com câmaras de cicatrização nas roscas. Este novo desenho foi analisado e comparado com a macrogeometria de implantes cônicos convencionais, e ambos os modelos foram testados com e sem tratamento de superfície. Os implantes foram colocados em duas tíbias (n=2 implantes por tíbia) de 20 coelhos da Nova Zelândia, em um estudo randomizado. As amostras do osso peri-implantar foram colhidas e avaliadas em dois momentos: 15 e 30 dias após a inserção dos implantes. Os parâmetros avaliados foram quociente de estabilidade do implante (ISQ), valores de torque de remoção (RTv) e avaliação histomorfométrica, para determinação do contato osso-implante (% BIC) e ocupação da fração da área óssea (% Bafo). A Figura 1 ilustra os implantes avaliados.
 

Figuras 1 – A. Macrogeometria tradicional de implantes cônicos com espiras lisas. B. Nova macrogeometria de implantes cônicos com câmaras de cicatrização nas espiras.


​Os resultados mostraram que os implantes com a macrogeometria modificada com câmaras de cicatrização nas espiras produziram um aumento significativo na osseointegração, acelerando esse processo. As análises mostraram diferença estatística significativa entre os grupos nos períodos de avaliação (p ≤ 0,0001). Além disso, foi encontrado um aumento importante nos parâmetros histológicos, favorecendo fortemente o grupo com o novo desenho macrogeométrico, no qual os valores de BIC e Bafo foram bastante superiores ao grupo dos implantes com desenho convencional, nos dois momentos em que as amostras foram avaliadas (15 e 30 dias).

Mesmo sendo ainda um estudo preliminar em animais, os resultados indicam que os implantes com macrogeometria modificada, com câmaras de cicatrização nas espiras, produzem um aumento significativo na osseointegração, acelerando esse processo. Além disso, os achados histológicos deste trabalho mostraram um aumento importante da área de contato osso-implante (BIC) e ocupação da fração da área óssea (Bafo). Sem falar nos parâmetros biomecânicos (estabilidade do implante e valores de remoção de torque) que para este novo desenho de implante foram também bastante relevantes. Pesquisas como esta vão referendando o anseio dos clínicos de acreditarem que é possível obtermos excelentes padrões de osseointegração em um espaço de tempo menor.
 

“Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem. Os teus votos estão sobre mim, ó Deus; eu te renderei ações de graças;
Pois tu livraste a minha alma da morte; não livrarás os meus pés da queda, para andar diante de Deus na luz dos viventes?” (
Salmos 56:11-13)

 

 
   


Marco Bianchini

Professor associado II do departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); autor dos livros "O Passo a Passo Cirúrgico na Implantodontia" e "Diagnóstico e Tratamento das Alterações Peri-Implantares".

Contato: bian07@yahoo.com.br